Costa do Marfim assume a presidência da Associação dos Países Produtores de Petróleo Africanos (APPO) em 2026 através de seu Ministro das Minas, Petróleo e Energia, Mamadou Sangafowa-Coulibaly.
Com a produção do campo Baleine e a exploração do bloco CI-707 pela empresa italiana Eni, a nação emerge como um novo polo petrolífero do continente africano.
Centrada por muito tempo na agricultura, a Costa do Marfim estabelece-se agora como um ator emergente no setor petroleiro, demonstrando sua intenção de fortalecer sua posição no cenário energético africano.
Em 2026, a Costa do Marfim assumirá a presidência da Associação dos Países Produtores de Petróleo Africanos (APPO), através de seu Ministro das Minas, Petróleo e Energia, Mamadou Sangafowa-Coulibaly. A indicação foi formalizada no término da 48ª reunião do Conselho de Ministros da organização, realizada nos dias 4 e 5 de novembro em Brazzaville. O país sucede o Congo, que liderou a instituição desde 2024.
Essa nomeação ocorre no momento em que a Costa do Marfim consolida seu lugar entre os novos polos petrolíferos do continente. Após a entrada em produção do campo Baleine, em 2023, a companhia italiana Eni recebeu em outubro os direitos de exploração do bloco CI-707, elevando para onze o número de blocos operados por ela no país. O campo Baleine, que produz mais de 62.000 barris de petróleo bruto e 75 milhões de pés cúbicos de gás por dia, junto com a descoberta do depósito Calao, ilustra o crescimento do campo sedimentar marfinense, classificado pela S&P Global como um dos mais produtivos da África.
Durante seu discurso em Brazzaville, Mamadou Sangafowa-Coulibaly destacou que seu mandato será focado em duas prioridades: a conclusão do Banco Africano de Energia e a implementação efetiva da Declaração de Brazzaville sobre o conteúdo local. O futuro banco, dotado de um capital previsto de 5 bilhões de dólares, deverá fortalecer a capacidade do continente de financiar seus projetos de energia e desenvolver a transformação local. Um encontro de chefes de estado está previsto para o primeiro semestre de 2026 para arrecadar as primeiras contribuições.
O ministro também reafirmou a importância estratégica do conteúdo local na soberania energética africana. A Costa do Marfim, que possui uma lei sobre conteúdo local e uma plataforma que conta com mais de 2.000 empresas nacionais ativas no setor, deseja servir de modelo e incentivar a cooperação regional para a construção de uma indústria petrolífera sustentável e inclusiva.
Abdoullah Diop












