Necessidades energéticas africanas crescem mais rápido que a infraestrutura disponível; abordagens híbridas e temporárias mudam a forma de produzir e distribuir eletricidade.
Diretor da Release by Scatec defende soluções acessíveis e modulares de energia solar, podendo economizar até US$ 10 milhões anuais por projeto, ao reduzir importações de combustível e emissões de gases do efeito estufa.
À medida que as necessidades energéticas africanas crescem mais rápido que as infraestruturas disponíveis, abordagens híbridas e temporárias estão redefinindo a maneira de produzir e distribuir eletricidade.
Em uma entrevista concedida à Sociedade Financeira Internacional (SFI) no final de outubro, Hans Olav Kvalvaag, diretor geral da Release by Scatec, subsidiária do grupo norueguês Scatec, apresentou uma abordagem pragmática para a transição energética na África, baseada em soluções solares modulares e acessíveis. Com o apoio da SFI, da MIGA e dos gestores do Climate Fund, esta abordagem visa superar os principais obstáculos à eletrificação, entre os quais o custo do diesel, a debilidade das redes e as restrições financeiras dos serviços públicos.
De fato, em muitos países africanos, parte da produção elétrica ainda depende de geradores térmicos alimentados por combustíveis importados, e o custo pode ser de três a cinco vezes o preço da eletricidade nos países da OCDE. Estas despesas pesam sobre as moedas e a competitividade das economias locais e, como as tarifas nem sempre cobrem os custos reais, as companhias acumulam perdas que limitam sua capacidade de investimento. Segundo Kvalvaag, a generalização do solar e do armazenamento pode alterar essa dinâmica.
Nas últimas duas décadas, o custo da energia solar caiu 90%, tornando-se hoje mais competitiva que as soluções térmicas na maioria dos países africanos. Os sistemas da Release by Scatec, disponíveis para aluguel em períodos intermediários, permitem aos serviços públicos adicionar rapidamente capacidade de 20 a 30 MW sem recorrer a um financiamento pesado. Cada projeto pode gerar uma economia anual de até dez milhões de dólares, reduzindo as importações de combustível e diminuindo as emissões de gases de efeito estufa.
Já existem usinas operando em Camarões e no Sudão do Sul, e outras estão sendo preparadas na Libéria, em Serra Leoa, no Chade e em São Tomé e Príncipe. Este modelo transicional, apoiado pelas garantias do Grupo Banco Mundial, constitui uma etapa em direção a projetos de IPP sustentáveis.
Integrada ao Missão 300, a iniciativa do Banco Mundial e do BAD para conectar 300 milhões de africanos até 2030, esta abordagem ilustra uma evolução estratégica no financiamento e acesso à energia no continente, baseada na modularidade, rapidez de implantação e acessibilidade em termos de investimento.
Abdoullah Diop













Marrakech. Maroc