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Minerais críticos: como a Namíbia atrai mais investidores para o seu subsolo

Minerais críticos: como a Namíbia atrai mais investidores para o seu subsolo
Quarta-feira, 8 de Abril de 2026

Na Namíbia, o setor mineiro continua a ser um dos principais motores da economia, com uma contribuição de 14,4 % para o PIB nacional em 2023. Embora este peso assente em grande parte nos diamantes, urânio e ouro, o país está a emergir progressivamente como um ator no mercado de minerais críticos. 

A empresa mineira júnior Kaoko Metals anunciou na segunda-feira, 6 de abril, que prevê angariar até 6,5 milhões de dólares australianos (4,4 milhões USD) no âmbito da sua cotação na bolsa australiana ASX. Esta operação insere-se nas suas ambições de identificar novas descobertas de cobre nos seus projetos na Namíbia, um país cada vez mais visado por investidores pelo seu potencial em minerais críticos. 

Com um portfólio de dois ativos, nomeadamente Chalkos e Karibib, a Kaoko Metals pretende concluir a sua cotação na ASX ainda este mês. Questionado pelo média StockHead sobre esta operação e a angariação de fundos associada, o seu CEO, Gerard O’Donovan, indicou que a empresa se concentra numa «descoberta, idealmente em grande escala» nos seus ativos. Esta aposta no cobre lembra outras empresas júnior, como a Midas Minerals ou a Koryx Copper, esta última a desenvolver a futura mina Haib. 

No entanto, esta dinâmica não se limita ao cobre. Abrange também o lítio (projeto Uis) e os elementos de terras raras, utilizados respetivamente na cadeia de valor dos veículos elétricos e nas turbinas eólicas. Desde a futura mina Lofdal (Namibia Critical Metals) aos depósitos já identificados, como Kameelburg (Aldoro Resources), os investimentos multiplicam-se, contribuindo para uma diversificação progressiva do setor mineiro namibiano, historicamente dominado pelos diamantes, urânio e ouro. 

A transição energética como motor 

Este enfoque nos minerais estratégicos na Namíbia insere-se num contexto em que a sua disponibilidade é essencial para a transição energética global. A este fator soma-se um ambiente de negócios considerado favorável. Segundo Donovan, a «Namíbia é uma região madura, favorável e acolhedora; não acho que as pessoas percebam quão acolhedora é […]. Parece-me simplesmente que não apresenta a mesma incerteza política nem o mesmo risco soberano que outras nações africanas». 

Apesar desta dinâmica promissora, a maioria dos projetos mencionados ainda se encontra em fase de desenvolvimento, e a sua concretização não está ainda garantida. Para atores como a Kaoko, ainda em busca dos seus primeiros depósitos, o caminho poderá ser longo e estender-se por vários anos, exigindo investimentos contínuos. 

Entretanto, o setor mineiro namibiano já desempenha um papel central na economia, representando 14 % do PIB nacional em 2023. De acordo com dados atribuídos ao Ministro das Minas, Modestus Amutse, o setor gerou mais de 64,7 mil milhões de dólares namibianos (3,8 mil milhões USD) de receitas de exportação no exercício 2025/26, graças sobretudo a desempenhos sólidos no ouro e urânio. 

Aurel Sèdjro Houenou 

 

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