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Os preços do algodão atingiram o seu nível mais alto em um ano.

Os preços do algodão atingiram o seu nível mais alto em um ano.
Quarta-feira, 8 de Abril de 2026

Após uma queda generalizada nos preços do algodão no mercado internacional em 2025, os analistas antecipavam a continuação desta tendência em 2026. Contrariando todas as expectativas, a matéria-prima registou uma recuperação dos preços num contexto geopolítico mundial marcado por fortes tensões.

Os preços do algodão vêm registando uma recuperação no mercado internacional desde o início de fevereiro de 2026. Segundo dados da Intercontinental Exchange (ICE Futures U.S.), os preços da fibra fecharam a 7 de abril de 2026 em 71,31 cêntimos por libra, cerca de 1,57 $/kg. Este nível representa um aumento de 8,7% em relação ao preço observado a 31 de dezembro de 2025 (1,45 $/kg).

Trata-se também do nível mais alto registado nos últimos doze meses. Para encontrar um preço semelhante, é necessário recuar até 5 de maio de 2025, quando os preços da fibra fecharam a 72,06 cêntimos por libra, cerca de 1,59 $/kg na ICE.

Segundo a plataforma internacional de dados económicos e financeiros Trading Economics, os intervenientes no mercado preveem um aperto nas perspetivas de oferta mundial, à luz dos dados recentes sobre as áreas cultivadas.

As áreas efetivamente cultivadas frequentemente divergem das primeiras estimativas governamentais, e esta incerteza é agravada por reduções de produção confirmadas em grandes países produtores como o Brasil, a China e a Austrália”, sublinha a plataforma na sua última análise do mercado mundial, em 4 de abril.

Em 31 de março, a empresa chinesa SunSirs, especializada na recolha, análise e divulgação de dados sobre mercados de matérias-primas, reportou, por exemplo, que a área plantada com algodão nos Estados Unidos, 4.º maior produtor mundial de algodão depois da China, Índia e Brasil, deverá cair para 9,23 milhões de acres em 2026, contra uma estimativa anterior de 9,4 milhões de acres, devido a condições climáticas desfavoráveis. A região cotonnière americana sofreu temperaturas recorde em março, que podem afetar o plantio e gerar preocupações sobre a produção.

Para além das incertezas de oferta em alguns países produtores, os analistas antecipam um aumento próximo dos custos de produção, ligado às tensões existentes no mercado mundial de fertilizantes.

Um impacto esperado do conflito no Médio Oriente?

O algodão é uma cultura de rendimento elevado que consome grande quantidade de fertilizantes, nomeadamente NPK e ureia. Neste contexto, os observadores estimam que o aumento dos preços no mercado mundial de fertilizantes deverá refletir-se nos custos de produção, especialmente em países produtores de algodão que dependem maioritariamente da importação de fertilizantes. O Brasil, 3.º produtor mundial de algodão, ilustra bem esta preocupação: segundo o USDA, o país depende em 87% das importações para as suas necessidades em fertilizantes.

Desde o final de fevereiro de 2026, a escalada militar entre os EUA, Israel e Irão tem perturbado o tráfego marítimo no estreito de Ormuz, uma passagem estratégica por onde transita cerca de um terço do transporte marítimo mundial de fertilizantes (aproximadamente 16 milhões de toneladas), segundo a UNCTAD. Numa nota informativa publicada em 19 de março, o Centro Internacional para o Desenvolvimento de Fertilizantes (IFDC) indicou que, já na primeira semana do conflito no Médio Oriente, o preço médio FOB (Free on Board) da ureia aumentou cerca de 37%, e na segunda semana os preços subiram ainda mais, atingindo cerca de 715 $ por tonelada métrica, um aumento de aproximadamente 45% em relação ao nível anterior à escalada.

Todos estes fatores sugerem a continuação da subida dos preços do algodão nos próximos meses. Mais amplamente, este momento representa uma oportunidade para os produtores de algodão da África Ocidental e Central aumentarem as suas receitas de exportação. Recorde-se que, na região, cerca de 98% do algodão produzido ainda é exportado sob a forma de fibra bruta.

Stéphanas Assocle

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