Fortemente dependente das importações regionais para o seu abastecimento elétrico, a Eswatini continua a desenvolver a sua produção interna, com um novo projeto solar apoiado por financiamentos locais e regionais.
Na quinta-feira, 7 de maio, a empresa sul-africana Anthem anunciou o fecho financeiro da central solar de Tsamela, um projeto fotovoltaico de 20 MW localizado na região de Hhohho, perto de Ngwenya. Segundo o comunicado publicado no LinkedIn, trata-se da primeira iniciativa do programa regional «ESERA Solar PV» a atingir esta fase, ilustrando assim o reforço da produção solar doméstica na Eswatini.
Uma parceria estratégica com o Standard Bank e o PSPF
Atribuído no âmbito de um concurso público destinado ao fornecimento de eletricidade à Eswatini Electricity Company (EEC), o projeto deverá ser construído num terreno de 44,8 hectares, com mais de 37 000 painéis bifaciais. A Anthem indica que as obras já começaram sob a coordenação da Alensy Energy Solutions, com entrada em operação comercial prevista para dentro de 15 meses. A produção estimada para o primeiro ano é de 47 788 MWh.
O financiamento é assegurado pelo Standard Bank Eswatini e pelo Standard Bank South Africa enquanto credores seniores, enquanto o Public Service Pension Fund (PSPF) participa tanto em dívida como em capital próprio. O custo do projeto, no entanto, não foi divulgado.
A soberania energética como imperativo nacional
O projeto surge num contexto em que a Eswatini procura reforçar a produção local de eletricidade e reduzir a dependência regional.
«Uma vez operacional, a central de Tsamela dará uma contribuição significativa para a capacidade de produção nacional da Eswatini, o que permitirá reduzir a dependência das importações e apoiar objetivos mais amplos em matéria de segurança energética e transição energética», indicou a Anthem no seu comunicado.
Segundo o Eswatini Financial Times, as importações de eletricidade representavam mais de 80% do consumo final do país em 2025. No mesmo período, um relatório publicado pela IRENA indica que a energia solar representava 14% do seu mix elétrico em 2024. A bioenergia dominava então a produção com 54%, seguida pela hidroeletricidade com 32%.
A IRENA indica ainda que 86% da população tinha acesso à eletricidade em 2024, um dos níveis mais elevados da África Subsaariana. Este dado confirma que o principal desafio da Eswatini é a soberania energética e não o acesso à eletricidade.
Abdoullah Diop












