Num contexto africano marcado por níveis de acesso à eletricidade ainda baixos, alguns países estão a progredir rumo ao objetivo de cobertura universal, apoiando-se nos seus recursos internos.
Segundo o relatório “Electricity 2026”, publicado em fevereiro pela Agência Internacional de Energia (AIE), o Senegal está no bom caminho para alcançar o acesso universal à eletricidade já em 2029. Este objetivo está inscrito no seu Energy Compact, publicado no âmbito da iniciativa Mission 300, que prevê um aumento anual da taxa de acesso de 2,9 %, permitindo ao país atingir a cobertura total um ano antes do prazo global definido pelo ODS7, em 2030, que se refere ao acesso à energia.
Este objetivo ambicioso assenta numa base sólida. Em 2024, 84 % da população senegalesa tinha acesso à eletricidade, uma taxa entre as mais elevadas da África Subsaariana. Segundo a AIE, a cobertura é agora total nas zonas urbanas, enquanto as zonas rurais apresentam uma taxa de acesso de 66 %.
Para atingir o acesso universal, a agência antecipa uma transformação profunda do mix energético. A parcela do gás natural na produção de eletricidade deverá passar de menos de 1 % em 2025 para cerca de 30 % em 2030, refletindo a introdução rápida do gás num sistema historicamente dominado pelo gasóleo. Paralelamente, a eletricidade proveniente de energias renováveis deverá atingir 22 % em 2030, um aumento de cerca de 10 pontos percentuais em relação a 2025.
Esta evolução do mix baseia-se em vários projetos já operacionais ou em desenvolvimento. Entre eles, destaca-se uma central solar de 16 MW, equipada com um sistema de armazenamento de 10 MW/20 MWh, colocada em serviço em 2025, assim como o início da construção do projeto NEO Kolda, que combina 60 MW solares e 20 MW para 72 MWh de armazenamento. A AIE cita também a conversão a gás natural da central de Bel Air, com uma capacidade de 335 MW, anteriormente alimentada a gasóleo pesado, com o objetivo de abastecer-se futuramente com gás doméstico.
Paralelamente a esta transformação, a agência salienta que o consumo de eletricidade cresceu 22 % em termos anuais em 2025 e que deverá aumentar cerca de 8 % ao ano no período 2026–2030, confirmando a urgência de integrar capacidades adicionais.
Abdoullah Diop












