Com o seu peso na UEMOA, a Costa do Marfim explora novos instrumentos para desenvolver as indústrias extrativas e o setor energético. O país pretende reforçar uma base produtiva capaz de sustentar a sua vantagem nesta zona.
O governo marfinense anunciou, na sexta-feira 5 de dezembro, o lançamento da sua Política Integrada dos Recursos Minerais e da Energia (PIRME), após a adoção da comunicação em Conselho de Ministros a 3 de dezembro. Esta política reúne as minas, os hidrocarbonetos e a energia num quadro estratégico destinado a acelerar a transformação económica do país a longo prazo.
A Costa do Marfim continua a ser a primeira economia da UEMOA, com 40% do PIB da união e 42% das exportações. Permanece igualmente um ator mundial do cacau e da castanha de caju. Apesar deste desempenho, a economia do país continua parcialmente dependente da agricultura e exposta às flutuações dos preços das matérias-primas. A nova política visa reforçar a diversificação, aumentando a contribuição do setor das minas e da energia para 14% em 2040, contra 7% do PIB em 2022.
As principais ações previstas pela política
A PIRME propõe estruturar toda a cadeia de valor, desde a prospeção até à transformação local. Prevê um aumento da produção mineira e petrolífera, bem como o desenvolvimento da transformação para criar mais valor acrescentado no país. A estratégia pretende reforçar as cadeias de valor locais, apoiar a instalação de indústrias e incentivar a participação dos operadores nacionais. Pretende igualmente melhorar a governação do setor, garantir uma repartição mais equitativa das receitas e apoiar a criação de emprego, num país onde a pobreza afetava 37,5% da população em 2021, segundo uma nota do Tesouro francês.
A energia no centro da política de transformação económica
A política confere um papel central à energia para acompanhar a industrialização. Estabelece o objetivo de integrar 45% de energias renováveis no mix nacional e de reduzir em 38% as emissões do setor energético. Uma eletricidade mais fiável e acessível deverá não só apoiar o crescimento das atividades extrativas, mas também reforçar a competitividade de toda a economia. A energia é vista como um instrumento essencial para reduzir os desequilíbrios territoriais e favorecer o desenvolvimento de novas atividades produtivas.
Um financiamento importante para apoiar a implementação
A implementação da PIRME exigirá 38 000 mil milhões de FCFA ao longo de 15 anos, cerca de 67,5 mil milhões de dólares. A repartição anunciada é de 41% para a energia, 30% para as minas e 29% para os hidrocarbonetos. Este volume considerável apoia-se na capacidade do país de mobilizar financiamento. Segundo o Tesouro francês, o PND 2021-2025 previa 59 mil milhões de euros de investimentos, dos quais três quartos provenientes do setor privado. No final de 2024, 45,5 mil milhões de euros já tinham sido comprometidos, o que representa uma taxa de realização de 77,1%, confirmando a aptidão do país para atrair investidores e executar programas de grande escala.
Na linha desta dinâmica, ao reunir minas, hidrocarbonetos e energia num quadro único, a Costa do Marfim deverá consolidar a sua diversificação económica. O país poderá, além da agricultura, afirmar-se no setor extrativo e reforçar o seu estatuto de hub energético na sub-região, apoiando um crescimento mais inclusivo, para além de Abidjan, que concentra 80% da atividade económica.
Abdoullah Diop













Marrakech. Maroc