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Diamantes: como Angola desafia a hegemonia africana do Botsuana

Diamantes: como Angola desafia a hegemonia africana do Botsuana
Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2026

Em termos de volume, o Botsuana é o maior produtor africano de diamantes e o segundo a nível mundial. Embora este estatuto não esteja ameaçado a curto prazo pelo Angola, este último posiciona-se cada vez mais como um ator importante da indústria.

Esta semana, durante a conferência Mining Indaba na África do Sul, a ministra das Minas do Botsuana prometeu aumentar os investimentos públicos na exploração de outros minerais além dos diamantes. A mensagem transmitida por Bogolo Joy Kenewendo contrasta com o anúncio feito por Angola no mesmo evento, de um aumento significativo da sua produção de diamantes até 2027. A crise que atravessa o mercado diamantífero oferece, de facto, a Luanda a oportunidade de desafiar a liderança histórica de Gaborone neste setor em África.

Produção e crise do mercado

Em 2024, Angola já reduziu a diferença para o Botsuana, com 14,02 milhões de quilates extraídos, contra 18,12 milhões de quilates do Botsuana. Em comparação, a produção botswanesa do ano anterior (25,09 milhões de quilates) representava mais do que o dobro da produção angolana (9,75 milhões de quilates). Gaborone decidiu reduzir os volumes extraídos para fazer face à queda da procura e dos preços nos últimos três anos. Como reflexo desta crise, os estoques botswaneses atingiram 12 milhões de quilates no final de 2025, quase o dobro do máximo permitido (6,5 milhões).

Por seu lado, Luanda aposta em aumentar os volumes extraídos. Segundo uma brochura oficial distribuída na Mining Indaba, a companhia pública Endiama prevê que o país produza 17 milhões de quilates até 2027, um aumento de 12% em relação à produção de 15,2 milhões de quilates registada em 2025. Este aumento insere-se no plano nacional de desenvolvimento 2023-2027, que prevê a entrada em produção de vários projetos diamantíferos, incluindo a primeira mina do lote, Luele, aberta no final de 2023. Apresentada como a maior do país, esta mina possui recursos estimados em 628 milhões de quilates e uma vida útil projetada de 60 anos.

Angola aposta também na qualidade das suas pedras, comparáveis às do Botsuana. Apesar de menor em volume, a produção diamantífera angolana atingiu 1,41 mil milhões de dólares em 2024, contra 1,35 mil milhões de dólares do Botsuana.

Perspetivas sobre De Beers

O crescimento do setor diamantífero angolano deverá passar também pela transformação local. O plano de desenvolvimento prevê a construção de dezenas de fábricas e a criação de uma bolsa de diamantes, com o objetivo de ganhar participação nos segmentos a jusante da cadeia de valor. Luanda pretende ainda adquirir uma participação no gigante da indústria, De Beers.

Enquanto o grupo está à venda pelo proprietário Anglo American, Angola quer adquirir parte do capital, ao lado do Botsuana. Gaborone, já acionista com 15% da De Beers, deseja controlar totalmente um grupo que ainda retira 70% da sua produção do país da África Austral. Embora a ambição de Luanda possa entrar em conflito com a do Botsuana, existe outra via: a cooperação.

Segundo informações de outubro de 2025, Angola submeteu uma primeira oferta para adquirir uma participação majoritária, planeando fazê-lo através de um consórcio envolvendo outros produtores africanos, com uma participação prevista entre 20% e 30%. Negociações confidenciais estariam em curso com o Botsuana, África do Sul e Namíbia. «Adquirir uma participação majoritária em produtos de luxo é muito arriscado, pois depende do mercado […] Devemos, portanto, ser solidários e atuar como uma equipa», declarou Paulo Tanganha, diretor nacional de recursos minerais de Angola, à Reuters, na margem da conferência.

Impacto na economia angolana

Se uma melhoria das condições de mercado ampliar a diferença entre os volumes de produção do Botsuana e de Angola, os esforços de Luanda podem reforçar a contribuição dos diamantes para a economia nacional. Com uma iniciativa lançada em junho de 2025 para melhorar a imagem do diamante natural face aos diamantes sintéticos, Angola colabora com outros países africanos e atores da indústria para relançar a procura das pedras extraídas.

Mesmo não assumindo o papel central que os diamantes desempenham no Botsuana (um terço das receitas públicas e cerca de 75% das receitas em divisas), os diamantes podem reduzir a dependência de Angola do petróleo. Até 2050, Luanda pretende elevar a participação do setor mineiro para 2,3% do PIB angolano, contra 1,3% em 2022.

Emiliano Tossou

 

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