Desde o fim da crise pós-eleitoral de 2010, o setor mineiro da Costa do Marfim entrou numa fase de crescimento, com a produção de ouro a mais do que decuplicar desde então. No entanto, os investimentos mobilizados até agora permanecem modestos face às ambições e ao potencial do país.
Nos últimos dez anos, a Costa do Marfim atraiu mais de 2 000 mil milhões de FCFA (3,6 mil milhões de USD) em investimentos mineiros. Este número, revelado durante a conferência Mining Indaba na África do Sul, evidencia a crescente importância do setor mineiro marfinense, mas continua aquém da meta governamental de mobilizar 11 400 mil milhões de FCFA até 2040.
Durante a conferência, que decorreu de 9 a 12 de fevereiro na Cidade do Cabo, a Costa do Marfim reuniu investidores internacionais para apresentar seus atrativos. Seydou Coulibaly, diretor-geral de Minas e Geologia do Ministério das Minas, destacou que os investimentos acumulados nos últimos dez anos resultam de fatores favoráveis: o potencial mineral do país com importantes depósitos de ouro e manganês, a estabilidade política, infraestruturas modernas e uma governança multipartidária transparente.
Estas qualidades renderam ao país reconhecimento internacional. O Fraser Institute classificou a Costa do Marfim como o melhor destino para investimento mineiro na África Ocidental em 2022 e 2023. Na conferência Africa Down Under, na Austrália, a Costa do Marfim foi até apontada como “o melhor lugar do mundo” para construir uma mina de ouro, segundo Justin Tremain, diretor-geral da Turaco, que desenvolve o depósito Afema, com mais de 100 toneladas de ouro.
Ambições elevadas
Atualmente, quatro minas de manganês, uma de níquel e uma de bauxita estão em operação, mas a maior parte dos investimentos nos últimos dez anos focou-se no ouro. Em 2010, o país contava apenas com quatro minas de ouro, produzindo cerca de 5 toneladas; em 2024, possui 13 minas, com produção aproximada de 60 toneladas. Apesar disso, as reservas auríferas continuam subexploradas, com potencial nacional estimado em 600 toneladas. Outros minerais, como coltan, lítio e cobre, ainda não estão explorados.
Para melhor aproveitar esse potencial, o governo lançou em dezembro último o plano PIRME (Política Integrada de Recursos Minerais e Energia), com orçamento de 38 000 mil milhões de FCFA (69 mil milhões USD) até 2040, dos quais 30% (20,7 mil milhões USD) serão destinados ao setor mineiro.
O objetivo é tornar a Costa do Marfim o maior produtor africano de ouro — atualmente, o país ocupava a 7ª posição em 2024, segundo o World Gold Council — e aumentar a contribuição do setor minas-energia para 14% do PIB até 2040, contra 7% em 2022.
Para atingir estas metas, o país moderniza o cadastro mineiro para reforçar a transparência e anuncia revisão do código mineiro, mas enfrenta desafios: será necessário equilibrar maior atratividade para investidores sem desencorajar investimentos, aprendendo com as tensões provocadas por revisões recentes nos códigos mineiros do Mali e Burkina Faso.
Emiliano Tossou












