Impulsionado especialmente por reformas no segmento de mineração artesanal e de pequena escala (ASM), o setor aurífero do Gana registou mais um ano positivo em 2025. As receitas de exportação da indústria até duplicaram, atingindo 20,9 mil milhões de USD.
Segundo dados provisórios da Chamber of Mines, citados pela Reuters na quinta-feira, 12 de fevereiro, a produção total de ouro do Gana atingiu um nível recorde de 6 milhões de onças em 2025, o que representa um aumento de 25 % em relação às 4,8 milhões de onças em 2024. Para 2026, o país pretende melhorar ainda mais este desempenho, com uma meta nacional de 6,5 milhões de onças anunciada.
Produção recorde impulsionada pelo ASM
No detalhe, a produção recorde foi principalmente sustentada pelo crescimento do rendimento do segmento artesanal e de pequena escala (ASM), que passou por profundas reformas durante o exercício. A contribuição deste segmento atingiu 3,1 milhões de onças (contra 1,9 milhão em 2024), enquanto a produção das minas industriais manteve-se relativamente estável, em 2,9 milhões de onças.
Poucos elementos foram ainda apresentados para fundamentar as previsões para 2026. No entanto, vários novos projetos estão em curso no setor aurífero ganês, incluindo Ahafo North, desenvolvido pela americana Newmont. Entrando em produção em setembro de 2025, esta mina, com uma capacidade anual de 275.000 onças, deverá registar em 2026 o seu primeiro ano completo de operação.
Melhorias e desafios no setor
Paralelamente, empresas como Perseus Mining (Edikan) e Asante Gold (Bibiani e Chirano) estão a trabalhar na melhoria do desempenho das suas operações. O segmento de mineração artesanal (ASM) continua também dinâmico, com o GoldBod, regulador do setor, a procurar consolidar os avanços alcançados em 2025. Contudo, segundo Kenneth Ashigbey, CEO da Chamber of Mines do Gana, as reformas fiscais previstas pelo Estado em 2026 poderão já impactar a produção industrial.
Com o objetivo de aproveitar ainda mais a subida prolongada dos preços do ouro, Accra planeia introduzir uma nova tabela de royalties que pode atingir 12 %, comparativamente à faixa atual de 3 a 5 %. Esta medida, que poderá entrar em vigor ainda este mês, poderá, segundo o dirigente, afetar a rentabilidade e o desenvolvimento de novos projetos.
“A nossa produção manteve-se praticamente estável em 2025, mas o ano de 2026 é preocupante. O aumento dos royalties impactará imediatamente os novos projetos, aqueles que deveriam impulsionar a produção do próximo ano”, declarou, conforme relatado pela Reuters.
Aurel Sèdjro Houenou













Marrakech. Maroc