Atualmente presente no Mali e no Senegal, a empresa australiana Resolute Mining ambiciona adicionar a Costa do Marfim às suas principais bases operacionais. Esta dinâmica já é impulsionada pela futura mina Doropo e poderá também estender-se ao ABC, o seu outro projeto na Costa do Marfim.
Na Costa do Marfim, a companhia australiana Resolute Mining planeia uma nova mina de ouro com um custo estimado de 648 milhões de dólares no seu projeto ABC. Esta perspetiva resulta do estudo económico preliminar publicado na quarta-feira, 13 de maio, enquanto os trabalhos de desenvolvimento da sua mina Doropo também prosseguem no país.
Até agora ativa principalmente nas minas Syama no Mali e Mako no Senegal, a Resolute Mining colocou a Costa do Marfim no centro da sua estratégia de crescimento através da aquisição, no ano passado, dos projetos Doropo e ABC junto da AngloGold Ashanti. Desde então, a empresa tem realizado trabalhos nos dois locais para melhor definir o seu potencial. É neste contexto que se insere o novo estudo económico do ABC, baseado numa estimativa de recursos de 2,16 milhões de onças de ouro.
Em detalhe, o documento descreve uma mina capaz de produzir em média cerca de 141 000 onças de ouro por ano, ao longo de uma vida útil estimada de 12 anos. Com base num preço de consenso do ouro fixado em 4 750 dólares por onça (próximo dos níveis atuais), o investimento de desenvolvimento poderá ser recuperado em cerca de um ano. O projeto apresenta um valor atual líquido (VAN) após impostos estimado em 2,3 mil milhões de dólares, com uma taxa interna de rentabilidade (TIR) de 63%.
Um plano mineiro ainda por confirmar…
Em comparação, o potencial previsto para o ABC é ligeiramente inferior ao volume médio anual de 169 000 onças esperado no projeto Doropo, cuja vida útil é estimada em 13 anos. No entanto, enquanto este último já foi objeto de uma decisão final de investimento (FID) em março, abrindo caminho ao início da fase de construção, a trajetória de desenvolvimento do ABC ainda precisa de ser definida.
O estudo económico preliminar publicado constitui apenas um enquadramento conceptual provisório para um eventual desenvolvimento do projeto, o que implica a realização de trabalhos adicionais para confirmar os seus parâmetros técnicos e económicos.
Na prática, esta folha de rota deverá visar a conversão dos recursos atuais em reservas exploráveis, capazes de sustentar um estudo de viabilidade definitivo (DFS), o nível mais avançado de planeamento mineiro. A Resolute Mining estima poder atingir esta fase até 2027, cerca de um ano antes da entrada em produção prevista de Doropo em 2028.
A empresa vê mesmo um potencial de otimização do ABC à medida que os recursos forem sendo atualizados, com uma meta de produção anual de 200 000 onças ao longo de pelo menos dez anos de exploração.
No conjunto, os desenvolvimentos em curso nestes dois projetos na Costa do Marfim são estratégicos para a Resolute Mining, que ambiciona elevar a sua produção global para 500 000 onças de ouro até ao final de 2028, contra 277 236 onças produzidas em 2025 apenas com as minas de Syama e Mako. Estas perspetivas têm também importância para a economia da Costa do Marfim, com a promessa de novos projetos mineiros capazes de gerar emprego e receitas adicionais para o Estado.
A nação marfinense regista de facto um crescimento do seu setor aurífero, impulsionado pela ambição das autoridades de atingir uma produção nacional de 100 toneladas de ouro na próxima década, contra 58 toneladas em 2024.
Aurel Sèdjro Houenou













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