O projeto deverá permitir ao país da África Austral, que atualmente importa a totalidade das suas necessidades em produtos refinados, realizar poupanças substanciais e acelerar o seu desenvolvimento industrial.
A Zâmbia lançou, na sexta-feira, 10 de abril, as obras de construção de uma refinaria de petróleo no valor de 1,1 mil milhões de dólares, com o objetivo de cobrir o consumo interno e apoiar o desenvolvimento da sua indústria.
A refinaria, que será instalada na cidade de Ndola, um importante polo industrial e mineiro situado na província da Copperbelt, perto da fronteira com a República Democrática do Congo, será desenvolvida pela Zambia Petrochemical Energy Company (ZPEC), uma joint-venture detida pela chinesa Fujian Xiang Xin Corporation e pela Industrial Development Corporation (IDC), agência zambiana responsável pelo desenvolvimento industrial.
As obras deverão estar concluídas antes do final de 2028. A fase de construção deverá gerar mais de 2.200 empregos, enquanto mais de 600 empregos diretos e mais de 2.000 empregos indiretos serão criados quando a refinaria estiver operacional. Numa intervenção durante a cerimónia de lançamento da primeira pedra, o ministro da Energia, Makozo Chikote, precisou que a unidade terá uma capacidade de processamento de 3 milhões de toneladas por ano, ou cerca de 60.000 barris por dia, e deverá apoiar setores-chave como a mineração e outras indústrias com elevado consumo de combustível.
Estes volumes deverão ser suficientes para satisfazer a totalidade da procura atual de combustíveis do país. Num comunicado divulgado após a assinatura do acordo com a Fujian Xiang Xin Corporation para o desenvolvimento da refinaria, o governo zambiano indicou ainda que a instalação poderá exportar parte da sua produção para países vizinhos a longo prazo.
Chikote acrescentou ainda que o complexo energético integrado incluirá atividades de enchimento de gás de petróleo liquefeito (GPL), produção de betume e mistura de lubrificantes, promovendo assim a criação de valor acrescentado e estimulando o desenvolvimento industrial. «O projeto transformador reflete a forte confiança dos investidores no ambiente de negócios favorável do país», declarou, apelando também aos promotores para que deem prioridade à transferência de competências e à formação de zambianos, de forma a desenvolver expertise local no setor petroquímico.
Em 2024, a Zâmbia importou 2,11 mil milhões de dólares em produtos petrolíferos refinados, segundo dados do Observatório da Complexidade Económica (OEC). Estes produtos, importados sobretudo de Singapura (426 milhões de dólares), da Tanzânia (387 milhões de dólares) e dos Emirados Árabes Unidos (335 milhões de dólares), representaram o principal peso na saída de divisas do país.
Walid Kéfi













Palais des Expositions, Alger (Safex)