O Fundo OPEP é muito ativo no continente africano, onde apoia projetos nas áreas da energia, infraestruturas, água e segurança alimentar. Até à data, mais de metade dos seus 30 mil milhões de dólares de compromissos históricos foram destinados ao continente.
A África do Sul assinou, na quarta-feira, 13 de maio, um acordo de empréstimo para desenvolvimento no valor de 150 milhões de dólares com o Fundo OPEP para o Desenvolvimento Internacional. Foi o Tesouro Nacional sul-africano que tornou a informação pública num comunicado oficial divulgado no mesmo dia. Trata-se do primeiro empréstimo alguma vez concedido diretamente ao governo sul-africano por esta instituição.
Os fundos destinam-se a apoiar as reformas estruturais em curso em dois setores considerados críticos por Pretória, nomeadamente a energia e o transporte de mercadorias. «O empréstimo apoiará o programa de reformas em curso do governo, visando desbloquear os estrangulamentos das infraestruturas, em particular nos setores da energia e do transporte de mercadorias, que são essenciais para permitir um crescimento económico inclusivo, melhorar a prestação de serviços e promover a criação de emprego», pode ler-se no comunicado.
O empréstimo será reembolsado ao longo de seis anos, com um período de carência de dois anos durante o qual a África do Sul ainda não pagará o capital. A taxa de juro é variável, indexada a uma taxa de referência internacional à qual se soma uma margem fixa de 1,25%. David Masondo, vice-ministro das Finanças, defendeu o acordo como estando alinhado com a estratégia de endividamento responsável do Tesouro, segundo declarações citadas pelo Business Day.
Um empréstimo inserido numa estratégia de financiamento mais ampla
Este empréstimo dá continuidade a uma série de compromissos multilaterais celebrados nos últimos meses. Em junho de 2025, Pretória obteve 1,5 mil milhões de dólares do Banco Mundial para estabilizar a rede elétrica, reformar o setor ferroviário e portuário, bem como apoiar a transição de baixo carbono, segundo o Business Explainer.
Em julho do mesmo ano, o governo sul-africano também garantiu 474,6 milhões de dólares junto do Banco Africano de Desenvolvimento. Estes fundos destinam-se a reforçar a segurança energética e o programa de transição energética justa, segundo o Daily Dispatch.
Na véspera do anúncio do empréstimo, a Statistics South Africa divulgou dados que mostram que a taxa de desemprego subiu para 32,7% no primeiro trimestre de 2026, contra 31,4% no último trimestre de 2025, o que representa uma perda líquida de 345 mil empregos.
Além disso, a agência de notação Moody’s alertou na semana anterior que a dívida pública permanece elevada, em torno de 80% do PIB, o que limita a capacidade do país para absorver choques.
Um financiador já bem estabelecido no continente africano
Embora seja a primeira vez que o Fundo OPEP concede um empréstimo diretamente ao governo sul-africano, a instituição já é um ator conhecido no continente. Mais de metade dos seus compromissos históricos são destinados à África, afirmou Abdul Hamid Al Khalifa, diretor-geral do Fundo OPEP, durante a assinatura de um memorando de entendimento com o Banco Africano de Desenvolvimento na COP27, em novembro de 2022.
Estes compromissos têm-se intensificado nos últimos anos. Em setembro de 2025, durante a 193.ª reunião do seu Conselho de Administração, o Fundo OPEP aprovou 576,5 milhões de dólares de financiamento para nove países africanos, incluindo Marrocos, Uganda e a própria África do Sul, no âmbito de uma carteira global superior a mil milhões de dólares, segundo a Agence Ecofin. Em janeiro de 2025, a Mauritânia assinou um acordo de parceria de 120 milhões de dólares para o período 2025-2027, centrado na energia, água, segurança alimentar e infraestruturas.
Até à data, o Fundo OPEP já comprometeu mais de 30 mil milhões de dólares em mais de 125 países. Estes financiamentos ajudaram a mobilizar mais de 200 mil milhões de dólares em investimentos em cofinanciamento com outros parceiros, segundo um comunicado oficial da instituição publicado em setembro de 2025.
Abdel-Latif Boureima













Nairobi. Kenya