Na Namíbia, o setor mineiro continua a ser um dos principais pilares da economia, representando 14,4 % do PIB em 2023. Esta contribuição baseia-se ainda em grande medida nas fileiras do diamante, do urânio e do ouro, enquanto outros segmentos, como o cobre, evoluem de forma intermitente.
A sociedade de consultoria de investimento Appian Capital Advisory anunciou, na quinta-feira, 14 de maio, a sua intenção de investir 400 milhões de dólares (USD) no desenvolvimento de uma nova mina de cobre no projeto Omitiomire, na Namíbia. Esta iniciativa junta-se a outros projetos de investimento já em curso para revitalizar uma indústria do cobre namibiana em declínio nos últimos anos.
Em detalhe, a Appian Capital Advisory apresenta Omitiomire como um ativo que contém cerca de 520 000 toneladas de cobre explorável, tendo recentemente adquirido 95 % do capital. Ultrapassada esta etapa, a empresa pretende agora avançar com os trabalhos necessários para o início da produção. O investimento anunciado deverá assim apoiar um «plano de desenvolvimento claramente definido» destinado a criar uma mina capaz de produzir cerca de 30 000 toneladas de cobre por ano, durante uma vida útil estimada de 15 anos.
Embora a Appian refira a existência de um estudo de viabilidade que valida o potencial do projeto, não detalhou os principais parâmetros do mesmo, nem as modalidades de mobilização do financiamento anunciado. Também não foi apresentado qualquer calendário para o início das obras ou para a entrada em funcionamento da mina. A empresa indica, no entanto, já ter iniciado conversações com potenciais parceiros para futuros acordos de escoamento da produção, destacando ainda um potencial de crescimento dos recursos através de várias zonas de exploração situadas nas proximidades do jazigo atual.
Um novo impulso para a produção nacional
O projeto da Appian posiciona-se entre os potenciais motores de crescimento da produção de cobre da Namíbia nos próximos anos. A Koryx Copper também lidera o projeto Haib, onde está prevista uma capacidade anual de 88 000 toneladas de cobre ao longo de 23 anos, enquanto a Bezant Resources (Hope & Gorob) e outras empresas juniores como a Kaoko Metals e a Midas Minerals investem em projetos em fases menos avançadas.
De um parque produtivo composto por várias minas nos anos 2000, a Namíbia viu a sua indústria do cobre entrar em declínio com o encerramento da maioria dos seus ativos, nomeadamente as minas de Matchless e Otjihase em 2015. Embora a entrada em funcionamento da mina Tschudi tenha marcado uma nova fase de atividade, esta foi colocada em suspensão em 2020 e retomada pela Consolidated Copper, que a opera desde 2024.
Atualmente, este é o único ativo industrial de cobre ainda em produção no país, embora os níveis de produção não sejam divulgados publicamente. A mina Kombat, cujas operações estão atualmente suspensas, deverá retomar a atividade até ao final do ano, segundo os planos do seu novo proprietário, a Horizon Corporation.
Um contexto de mercado favorável
Embora os volumes previstos para estes projetos sejam relativamente modestos quando comparados com os grandes complexos mineiros da República Democrática do Congo e da Zâmbia, principais produtores africanos de cobre, eles surgem num contexto marcado pela necessidade de novas capacidades de oferta para responder às tensões esperadas no mercado global. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o défice de abastecimento poderá atingir 30 % até 2035, uma vez que as minas existentes não serão suficientes para responder ao crescimento da procura.
Esta tendência está a ser aproveitada pelos promotores dos projetos, reposicionando a Namíbia no cenário mundial. «A procura de cobre deverá crescer de forma contínua até 2035, impulsionada pela eletrificação global e pelas infraestruturas de transição energética. Num contexto de escassez de oferta, Omitiomire representa uma oportunidade rara a curto prazo para colocar no mercado uma produção significativa», indica a Appian Capital Advisory na sua nota.
No entanto, várias etapas ainda terão de ser ultrapassadas antes de estes projetos poderem ser plenamente concretizados. A Appian terá de fornecer mais detalhes sobre o desenvolvimento de Omitiomire, enquanto a Koryx Copper continua a otimizar os parâmetros económicos e técnicos do projeto Haib. Está prevista uma pré-estudo de viabilidade (PFS) para o quarto trimestre de 2026. Mesmo após essa fase, serão ainda necessários trabalhos adicionais para confirmar a viabilidade económica da exploração comercial.
Aurel Sèdjro Houenou













Nairobi. Kenya