Com cerca de 750 000 km, o país mais industrializado de África possui uma das redes rodoviárias mais densas do continente. No entanto, o mau estado de muitas estradas provinciais e rurais agrava as restrições logísticas enfrentadas pelos operadores económicos.
O governo sul-africano alocou cerca de 31 mil milhões de rands (aproximadamente 1,864 mil milhões de dólares) para a reabilitação, modernização, expansão e manutenção da rede rodoviária nacional durante o exercício orçamental de 2026/2027 (1 de abril a 31 de março). Esta verba, que será disponibilizada à Agência Nacional de Estradas da África do Sul (South African National Roads Agency / SANRAL), foi anunciada na terça-feira, 12 de maio, pela ministra dos Transportes, Barbara Creecy, durante a apresentação do orçamento do seu ministério no Parlamento.
A ministra sublinhou que os fundos serão usados para financiar despesas de investimento na rede rodoviária não paga, incluindo o projeto de modernização da autoestrada de Gauteng (Norte), a construção de grandes pontes ao longo da estrada N2 na Wild Coast (Sudeste), bem como a construção de novos troços em autoestradas nacionais e o desenvolvimento do corredor rodoviário de Moloto, um eixo estratégico que liga a cidade de Moloto (província de Mpumalanga) a Pretória (província de Gauteng).
Estes projetos deverão melhorar a segurança rodoviária, reduzir as distâncias de viagem e criar mais de 35 000 empregos, além de apoiar as atividades de mais de 2 000 pequenas empresas.
Reduzir os constrangimentos logísticos
A ministra expressou também preocupação com as dificuldades persistentes a nível provincial e municipal, onde os meios financeiros e as capacidades técnicas para manutenção de estradas continuam frequentemente insuficientes.
«Desde 2013, os governos provinciais transferiram 13 000 quilómetros de estradas provinciais para a SANRAL para gestão e manutenção. Isto não é uma estratégia sustentável a longo prazo e acabará por afetar a capacidade da SANRAL de manter a rede rodoviária nacional sem a introdução de um sistema generalizado de portagens.»
A África do Sul possui uma das redes rodoviárias mais densas e desenvolvidas de África, com cerca de 750 000 km de estradas. Se as principais autoestradas estão em boas condições, muitas vias provinciais e rurais encontram-se degradadas, aumentando os custos de transporte, reduzindo a produtividade e limitando oportunidades para empresas e famílias.
A nova alocação orçamental insere-se numa estratégia nacional mais ampla de investimento no setor dos transportes, visando reduzir os estrangulamentos logísticos frequentemente apontados por empresas mineiras e industriais. Estes constrangimentos estão entre os principais fatores que explicam o crescimento económico inferior a 1% registado pelo país mais industrializado do continente na última década.
Para recordar, o Banco Mundial aprovou no início de março um novo mecanismo de garantia de crédito (Credit Guarantee Vehicle/CGV) destinado a ajudar a África do Sul a mobilizar 10 mil milhões de dólares em capital privado para investimentos em transportes, transmissão de eletricidade, água e infraestruturas sociais.
Walid Kéfi













Nairobi. Kenya