Um acordo de 200 milhões de dólares foi assinado entre o Egito e a Al Mana Holding para uma unidade de produção de combustível de aviação sustentável na zona econômica do Canal de Suez. O site produzirá até 200.000 toneladas/ano a partir de óleo usado, com entregas previstas para o final de 2027.
No domingo, 14 de dezembro, à margem do Fórum de Negócios Egito-Catar realizado no Cairo, o Egito assinou com o conglomerado qatari Al Mana Holding um contrato para um investimento inicial de 200 milhões de USD num projeto de produção de combustível de aviação sustentável (SAF). Este projeto, que será instalado na zona integrada de Sokhna, à beira do Mar Vermelho, constitui, segundo as autoridades egípcias, o primeiro investimento industrial qatari na zona econômica do Canal de Suez (SCZONE).
O projeto será desenvolvido por uma entidade recém-criada, Saf Fly, e será implementado em três fases. A primeira prevê uma capacidade de produção anual estimada em 200.000 toneladas, incluindo SAF, biopropano e bionaftaleno, todos derivados de óleo de cozinha usado refinado. A Al Mana Holding também garantiu um acordo de fornecimento de longo prazo com a Shell, que se comprometeu a comprar toda a produção do site. As primeiras entregas estão previstas para o final de 2027, e este compromisso comercial garante visibilidade quanto aos mercados desde o início da operação da unidade, limitando os riscos associados à comercialização dos combustíveis produzidos.
O acordo faz parte de uma estratégia mais ampla do Egito para desenvolver combustíveis de aviação de baixo carbono. Na quinta-feira, 4 de dezembro, o país concedeu sua primeira licença de produção de SAF à Egyptian Sustainable Aviation Fuel Company (ESAF), subsidiária da empresa pública de produção petroquímica (ECHEM), para um projeto distinto em Alexandria.
O Primeiro-Ministro Mostafa Madbouly, que participou da assinatura do contrato, afirmou que a iniciativa com a Al Mana Holding reflete a dinâmica positiva das relações entre o Cairo e Doha. Destacou que se insere numa vontade política comum de reforçar a cooperação bilateral, através de investimentos conjuntos e intensificação do comércio.
No âmbito da zona industrial, as autoridades destacam o alinhamento do projeto com a estratégia local de sustentabilidade. O seu presidente, Walid Gamal El-Din, indicou que a utilização de combustível de aviação sustentável permitirá uma redução das emissões nocivas entre 50% e 80% em relação aos combustíveis convencionais. Ele também salientou que a zona se impõe como um destino atrativo para investimentos industriais, graças às suas infraestruturas, diversidade de fontes energéticas e um quadro regulatório incentivador.
A nível internacional, o SAF tem sido cada vez mais utilizado, com mais de 360.000 voos comerciais já tendo recorrido a ele, segundo a Organização de Aviação Civil Internacional (OACI). Em África, companhias aéreas como Ethiopian Airlines e Kenya Airways planeiam utilizá-lo nos próximos anos.
Olivier de Souza













Marrakech. Maroc