As descobertas de jazidas minerais geralmente resultam de anos de investimentos por empresas especializadas em exploração. Esses investimentos também envolvem riscos de fracasso, que podem ser reduzidos com dados prévios sobre o subsolo. No entanto, o subsolo africano continua pouco explorado.
O Botswana, primeiro produtor africano de diamantes em volume, lançou uma nova empresa pública de exploração dedicada à melhoria dos dados geológicos nacionais. Anunciada na semana passada, durante a conferência Mining Indaba na África do Sul, a iniciativa de Gaborone reflete os esforços crescentes de diversos países minerais do continente para revelar melhor o potencial de seu subsolo e atrair mais investimentos.
Um continente ainda pouco explorado
Embora rico em recursos minerais, a África permanece subexplorada. Países como a República Democrática do Congo e a África do Sul lideram a produção mundial de metais como cobre, cobalto e metais do grupo da platina. Estima-se que o continente detenha 30% das reservas globais de minerais críticos, essenciais à transição energética e à indústria.
No entanto, investidores ainda precisam desembolsar milhões de dólares em mapeamento e exploração preliminar. Em 2024, a África atraiu apenas 10% dos gastos globais com exploração mineral, embora represente 22% das terras emersas. Segundo Bogolo Joy Kenewendo, ministra das Minas do Botswana, o país explorou até hoje apenas cerca de 30% de seu território.
“Queremos garantir que possuímos dados precisos e sabemos onde estão os recursos […] Pode-se perder muito dinheiro explorando sem encontrar nada”, afirmou a ministra, referindo-se ao risco elevado enfrentado pelas empresas nas primeiras etapas da exploração mineral.
Retorno sobre investimento e diversificação
Para o governo botswanês, os investimentos em exploração chegam em um momento de crise econômica, devido à queda nos preços e na demanda por diamantes. O país busca diversificar sua economia, especialmente o setor mineral, explorando outros recursos como cobre e níquel.
No Nigéria, uma estratégia semelhante visa reduzir a dependência do petróleo e fortalecer o setor mineral. Desde 2023, Abuja firmou acordos com a Africa Finance Corporation e a Xcalibur Smart Mapping para coleta de dados, além de um protocolo com a França em 2024 para financiar exploração geológica, visando mapear um subsolo estimado em 700 bilhões de dólares em reservas.
Na Quênia, uma campanha geofísica aérea nacional em 2023 gerou novos dados geológicos, identificando 970 ocorrências minerais em 15 condados, incluindo minerais críticos. O governo busca atrair empresas mineradoras e planeja elevar a contribuição do setor mineral para 10% do PIB até 2030, contra menos de 1% no final dos anos 2020.
Mais do que dados geológicos: políticas atrativas
Embora o mapeamento e a coleta de dados geológicos sejam passos importantes, eles não bastam para desenvolver o setor mineral. O ranking anual do Fraser Institute sobre atratividade de jurisdições minerais mostra que o potencial geológico é apenas parte da equação. Políticas minerais atrativas, estabilidade regulatória e fiscal são essenciais. À medida que a África desperta cada vez mais interesse das grandes potências por seus recursos, a capacidade dos Estados de conciliar riqueza mineral com um quadro legal claro será decisiva para garantir exploração mineral voltada para o desenvolvimento.
Emiliano Tossou













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