Principal produtor de lítio em África, o Zimbabué procura reforçar o controlo sobre a gestão deste recurso, tendo decretado em fevereiro um embargo às exportações. Dois meses depois, o levantamento desta medida está a avançar de forma gradual, enquanto o Estado define novas regras de funcionamento do setor.
No Zimbabué, o embargo decretado em fevereiro sobre as exportações de concentrado de lítio começou a ser progressivamente flexibilizado, com a atribuição de quotas a alguns produtores. Esta orientação foi confirmada na terça-feira, 14 de abril, pelo ministro das Minas, Polite Kambamura, que descreve uma abordagem pensada para proteger os investimentos existentes, ao mesmo tempo que apoia as ambições de transformação local.
Seis produtores já aprovados…
Questionado pelo meio local Mining Zimbabwe, o ministro esclareceu que “apenas os grandes produtores” estão abrangidos por este dispositivo. São seis, maioritariamente controlados por grupos chineses: Sinomine (mina Bikita), Chengxin Lithium (Sabi Star), Sichuan Yahua (Kamativi), Huayou Cobalt (Arcadia), Tsingshan (Gwanda) e Kuvimba Mining (Sandawana).
Embora as quotas atribuídas a cada um não tenham sido divulgadas, o governo insiste num controlo rigoroso das exportações, agora sujeitas à monitorização de volumes, tonelagens e cargas. Trata-se de uma abordagem que marca uma rutura com o regime anterior, em que os operadores tinham maior liberdade nas suas exportações.
Principal produtor africano de lítio, o Zimbabué é também um fornecedor-chave da China. Em 2025, o país exportou cerca de 1,13 milhões de toneladas de concentrado de espodumena para este mercado, representando cerca de 15% das suas importações. O impacto deste novo sistema de quotas nesta dinâmica permanece, por agora, incerto, num contexto de excesso de oferta, especialmente na China.
Para as autoridades, esta reforma visa também sanear o setor. O objetivo é limitar práticas fraudulentas, nomeadamente a subdeclaração de volumes e a intervenção de intermediários informais. “O objetivo desta proibição era eliminar comportamentos antiéticos que proliferavam no setor, bem como os intermediários que atuavam no controlo das subdeclarações, e melhorar a transparência no setor mineiro […]”, afirmou o ministro.
Uma transição para a transformação local
Para além da regulação das exportações, esta política insere-se numa estratégia mais ampla de subida na cadeia de valor. O governo exige que as empresas desenvolvam, até janeiro de 2027, unidades de produção de sulfato de lítio, um produto com maior valor acrescentado do que o concentrado. Este prazo deverá coincidir com um regresso a uma proibição total das exportações de concentrado, uma vez instaladas as capacidades locais de transformação.
“Estamos a colaborar eficazmente com os produtores. Chegamos a acordo sobre o roteiro a seguir para a instalação de unidades de processamento adequadas, a declaração obrigatória de todos os minerais antes da exportação e a criação de outras instalações que permitam separar os minerais exploráveis dentro do lote de lítio destinado à exportação”, acrescentou o ministro.
Note-se que vários operadores já anunciaram projetos nesse sentido, nomeadamente Zhejiang Huayou Cobalt, Sinomine e Sichuan Yahua. Em contrapartida, o destino dos operadores que não cumprirem estas exigências permanece incerto. Metal essencial para baterias de veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia, o lítio afirma-se como um dos pilares do setor mineiro zimbabueano, a par dos metais do grupo da platina, do ouro, do crómio e dos diamantes.
Aurel Sèdjro Houenou













Windhoek, Namibie