Confrontado com o declínio dos seus campos petrolíferos e com uma forte dependência dos hidrocarbonetos, o Gabão vê as suas receitas a diminuir, enquanto o défice orçamental e a dívida pública pressionam as suas finanças.
O Gabão está a mobilizar receitas petrolíferas futuras para levantar 1 mil milhão de dólares. Na quarta-feira, 15 de abril, a empresa suíça Trafigura anunciou ter assinado um acordo de pré-financiamento com o Estado gabonês, no valor referido. A operação prevê a disponibilização imediata dos fundos, garantidos por entregas de petróleo bruto ao longo de um período de sete anos.
Em detalhe, a empresa indica que o financiamento será reembolsado através de cargas provenientes da parte da produção pertencente ao Estado, denominada “profit oil”. A Trafigura será o comprador exclusivo desses volumes, provenientes de vários blocos operados por diferentes empresas, durante toda a duração do contrato.
Paralelamente a este mecanismo, concebido para garantir uma base de produção diversificada, a Trafigura refere ter iniciado um processo de sindicalização para distribuir parte do financiamento por instituições financeiras internacionais, cujas identidades não foram divulgadas. Uma estrutura que visa alargar a base de financiamento da operação.
“O Governo regozija-se com o regresso significativo da Trafigura ao Gabão e agradece à empresa por este acordo que visa otimizar os recursos petrolíferos do país, reforçar as reservas de divisas do Banco Central e facilitar uma gestão mais ativa da tesouraria nacional”, declarou Thierry Minko, ministro da Economia, Finanças, Dívida e Participações do Estado da República do Gabão.
O Banco Mundial indica, num relatório publicado em setembro de 2025, que a produção petrolífera do país está em declínio, com uma queda de 2,1% em 2025 e uma redução que pode atingir 5,8% em 2026, devido ao envelhecimento dos campos produtores. A Coface confirma esta tendência e sublinha o impacto dos ativos maduros nas perspetivas económicas.
Uma atualização do portal Lloyds Bank Trade, cobrindo o período 2024-2026, mostra que o petróleo representa entre 40% e 50% das receitas fiscais e cerca de um terço do produto interno bruto do país.
Abdel-Latif Boureima













Windhoek, Namibie