Durante muito tempo relegada para segundo plano nas políticas energéticas, a questão da cozedura limpa tem vindo a mobilizar cada vez mais a comunidade internacional. Após um primeiro encontro em Paris em 2024, um novo cimeira terá lugar em África, num contexto marcado por desafios climáticos e económicos ainda significativos.
O Quénia acolherá em 2026 a segunda grande Cimeira Internacional sobre Cozedura Limpa em África, organizada em conjunto com a Noruega, os Estados Unidos e a Agência Internacional de Energia (AIE). O evento decorrerá em Nairobi e reunirá governos, empresas e instituições de desenvolvimento em torno do objetivo de acelerar o acesso a soluções de cozedura limpa para cerca de 1 mil milhão de africanos que ainda não as têm.
A cimeira será co-presidida pelo presidente queniano William Ruto, pelo primeiro-ministro norueguês Jonas Gahr Støre, pelo secretário americano da Energia Chris Wright e pelo diretor executivo da AIE, Fatih Birol.
Este encontro dá continuidade à primeira Cimeira sobre Cozedura Limpa em África, organizada em Paris em maio de 2024. Co-presidida pela Tanzânia, Noruega, Banco Africano de Desenvolvimento e AIE, esta reunião contou com a participação de cerca de 60 países e mais de 1 000 delegados. Permitindo mobilizar 2,2 mil milhões de dólares em compromissos financeiros públicos e privados, um nível sem precedentes para este setor.
Segundo uma atualização publicada pela AIE em julho de 2025, mais de 470 milhões de dólares dos compromissos anunciados em Paris já tinham sido desembolsados. A mesma publicação apresentou um roteiro atualizado visando o acesso universal à cozedura limpa na África Subsaariana até 2040, baseado em soluções consideradas tecnicamente disponíveis e economicamente acessíveis.
Para a África Subsaariana, o desafio continua a ser considerável. Enquanto o número de pessoas sem acesso à cozedura limpa foi reduzido para metade no mundo desde 2010, continua a aumentar na região, onde quatro em cada cinco agregados familiares permanecem dependentes de combustíveis poluentes. Esta situação tem impactos profundos na saúde pública, na igualdade de género, no desenvolvimento económico e no ambiente.
Neste contexto, ao acolher a cimeira de 2026, o Quénia afirma-se como um ator central nesta nova agenda continental, num momento em que as grandes potências e instituições internacionais dedicam cada vez mais atenção a uma questão que durante muito tempo permaneceu marginal nas políticas energéticas.
Abdoullah Diop













Marrakech. Maroc