Enquanto a Zâmbia multiplica projetos solares para reduzir a vulnerabilidade do seu sistema baseado na hidroeletricidade, um grande grupo mineiro opta por recorrer a uma nova capacidade hidroelétrica para as suas necessidades industriais.
O Anzana Electric Group e a mineradora FQM anunciaram, na quinta-feira, 12 de fevereiro, uma parceria para desenvolver até 50 MW de energia hidroelétrica no norte da Zâmbia até 2030. A eletricidade deverá abastecer as minas da FQM na Província do Noroeste através de um mecanismo de wheeling, com o apoio da companhia pública de eletricidade Zesco.
O grupo mineiro procura assegurar uma capacidade de base (baseload), capaz de garantir produção contínua para as suas operações. O projeto será implementado no norte do país, uma região considerada menos sujeita às variações hidrológicas sazonais.
Esta decisão surge num momento em que a Zâmbia e os atores industriais procuram reduzir a dependência da hidroeletricidade, que domina largamente a matriz elétrica e a produção da rede nacional. O país continua a ser majoritariamente abastecido por barragens, cuja produção está sujeita a eventos climáticos, como evidenciado pela severa seca de 2024. Desde então, as autoridades têm multiplicado projetos solares para diversificar a matriz e limitar a exposição do sistema elétrico.
Neste contexto, ao optar por uma nova capacidade hidroelétrica localizada numa zona considerada mais estável, a FQM adota uma abordagem focada, em vez de mudar de tecnologia. O projeto poderá também contribuir para a estabilidade da rede e facilitar a integração de novas capacidades variáveis na região.
Abdoullah Diop












