Em 2025, a Shell indicou que tornaria a Nigéria um eixo central da sua estratégia de expansão no gás natural liquefeito (GNL), prevendo simultaneamente um aumento de cerca de 60% na procura mundial até 2040.
O mercado global de GNL entra numa fase de crescimento sustentado. Segundo a multinacional anglo-neerlandesa Shell, a procura mundial deverá aumentar pelo menos 54% até 2040, informação divulgada na apresentação oficial intitulada “LNG Portfolio: Strategic Spotlight 2026”, publicada pelo grupo na segunda-feira, 16 de março.
Neste cenário, o consumo global de GNL atingirá entre 650 e 710 milhões de toneladas por ano até 2040, comparado com cerca de 422 milhões de toneladas em 2025, segundo os dados do documento da Shell.
A empresa sublinha que a maior parte do crescimento virá dos mercados em desenvolvimento, especialmente na Ásia, onde os países asiáticos fora da OCDE representaram cerca de 41% das importações mundiais em 2024. «Prevemos que grande parte do aumento da procura de GNL ocorrerá nos mercados em desenvolvimento, particularmente na Ásia», afirmou a Shell, lembrando que o GNL é utilizado na produção de eletricidade, indústria, aquecimento e transportes.
O GNL também desempenha um papel estratégico no equilíbrio do sistema energético, especialmente no contexto da expansão das energias renováveis. A empresa alerta ainda que um défice entre oferta e procura deverá persistir além da metade da década de 2030, exigindo novos investimentos em capacidades de produção.
Essa evolução vem acompanhada pelo desenvolvimento das infraestruturas industriais, com novos projetos de liquefação e exportação em várias regiões.
GNL, pilar estratégico da Shell
O aumento esperado da procura mundial reforça o reposicionamento estratégico da Shell, que, segundo informações de outubro de 2025 da Agence Ecofin, pretende tornar o GNL um eixo prioritário do seu portfólio energético, captando o crescimento previsto do mercado.
O GNL representava cerca de 13% do comércio mundial de gás, proporção que deverá atingir quase 20% até 2040, refletindo uma recomposição dos fluxos energéticos internacionais marcada pelo crescimento do transporte marítimo de gás.
A Shell destaca a flexibilidade do GNL, que facilita a sua integração em diferentes sistemas energéticos e promove a sua adoção em novos mercados, reforçando o seu papel no abastecimento energético global.
O grupo indica ainda que dará prioridade a projetos gasíferos mais rentáveis, num contexto em que as grandes empresas de energia reavaliam as suas estratégias, focando-se em segmentos com perspectivas de crescimento sustentado.
Abdel-Latif Boureima













Marrakech. Maroc