- Iniciativas na África Ocidental visam transformar resíduos municipais em combustíveis e energia renovável.
- No Gana, a empresa F&B Bio Reciclagem concluiu a primeira fase de um projeto para aproveitar 2.000 toneladas de resíduos sólidos por dia em combustível de aviação sustentável e biodiesel.
Do Gana à Serra Leoa, iniciativas para transformar resíduos municipais em combustíveis e eletricidade renovável ilustram uma tendência crescente de valorização energética na África Ocidental.
No Gana, a F&B Bio Reciclagem deseja transformar os resíduos municipais que frequentemente se acumulam sem qualquer tratamento em uma fonte de energia. A empresa anunciou, no início de outubro, que concluiu a primeira fase de seu projeto de valorização de 2.000 toneladas de resíduos sólidos por dia, para produzir combustível de aviação sustentável e biodiesel.
Esta fase confirmou a viabilidade técnica e comercial do projeto, que se baseia na gaseificação e na síntese de Fischer-Tropsch, um processo industrial de transformação de resíduos em combustíveis líquidos. "Este projeto encontra-se na encruzilhada entre duas questões mundiais, a gestão de resíduos e a descarbonização do transporte. Nossa fase 1 demonstra que podemos transformar os resíduos em combustível de aviação limpo em larga escala no Gana" disse Frederick Opoku Agyekum, diretor de desenvolvimento da empresa.
De acordo com a Plataforma Cidades Limpas da África, mais de 90% dos resíduos produzidos na África acabam em aterros não monitorados, ou queimados a céu aberto. Dezenove das cinquenta maiores lixeiras do mundo estão na África Subsaariana. Estes locais exalam metano e carbono negro, gases que afetam o equilíbrio e a higiene da atmosfera.
Por outro lado, a aviação representa, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), 2,5% das emissões globais de CO₂ relacionadas à energia. De acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), os combustíveis de aviação sustentáveis poderiam representar até 65% das reduções de emissões necessárias para atingir a neutralidade de carbono do setor até 2050.
Este projeto em Gana não é um caso isolado. Na África Ocidental, iniciativas similares estão surgindo. Na Serra Leoa, por exemplo, a Climate Fund Managers e a Infinitum Energy Group estão desenvolvendo uma usina de 30 MW em Freetown para transformar 365.000 toneladas de resíduos municipais por ano em 236,5 GWh energia renovável.
Segundo o Instituto Francês de Relações Internacionais, a produção anual de resíduos municipais na África Subsaariana poderia triplicar até 2050, atingindo 516 milhões de toneladas, um volume que reforça a importância da valorização energética no planejamento urbano e climático da região.
Abdoullah Diop













Marrakech. Maroc