- A Agência Internacional de Energia (AIE) prevê um superávit histórico de petróleo em 2026, resultante do reequilíbrio da produção global.
- A oferta global é projetada em mais de 106 milhões de barris por dia em 2026, um aumento de cerca de 4,5%.
- Há vários meses, a OPEP e os seus aliados vêm realizando diversos ajustes na produção, num esforço para reequilibrar o mercado petrolífero. No início de outubro de 2025, o grupo aumentou a produção em 137 mil barris por dia, acompanhando a recuperação da procura mundial.
A Agência Internacional de Energia (AIE) prevê um excedente histórico de petróleo em 2026, resultado direto da recuperação da produção global. Em seu Relatório do Mercado de Petróleo (OMR) publicado na terça-feira, 14 de outubro de 2025, a agência prevê um superávit de cerca de 4 milhões de barris por dia, um nível inédito desde a fundação da organização.
De acordo com o relatório, esta previsão é o resultado do aumento gradual da produção da OPEP+ após cortes voluntários decididos para estabilizar os preços. Os membros do cartel e seus aliados, incluindo a Arábia Saudita e a Rússia, anunciam a reintrodução gradual ao mercado de volumes retirados desde 2023. Paralelamente, a oferta fora da OPEP+ (Estados Unidos, Brasil, Canadá, Guiana, Argentina) está em crescimento, impulsionada por novos projetos.
A AIE projeta uma oferta global de mais de 106 milhões de barris por dia em 2026, em comparação com 101,6 milhões em 2024, um aumento de aproximadamente 4,5%. A demanda global, por sua vez, aumenta em média cerca de 700.000 barris por dia em 2025 e 2026, um ritmo mais lento do que na década anterior.
Este desaceleramento, segundo a agência, deve-se ao abaixamento da atividade, aos ganhos de eficiência energética e à popularização dos veículos elétricos nos principais países consumidores. Esses fatores freiam o crescimento da demanda por combustíveis fósseis sem provocar uma queda brusca no consumo.
Nesse contexto, a AIE sinaliza uma recomposição dos estoques terrestres e marítimos. A agência estima que o equilíbrio do mercado depende dos ajustes de produção da OPEP+. As decisões esperadas nos próximos meses determinarão a trajetória da oferta e da demanda em 2026, conforme o relatório.
Desde janeiro de 2025, o Brent tem sido negociado entre 60 e 78 dólares por barril, de acordo com as cotações de referência da Intercontinental Exchange (ICE), principal mercado futuro de petróleo bruto europeu. Após um pico observado no segundo trimestre, os preços caíram cerca de 15%, voltando ao início de outubro a uma faixa entre 62 e 67 dólares por barril. Essa queda se deve ao acúmulo de estoques e ao retorno gradual dos volumes de produção da OPEP+.
Para a Nigéria e Angola, cujos orçamentos de 2025 estão baseados em suposições de 75 e 70 dólares por barril, respectivamente, essa evolução cria um risco de discrepância entre as previsões orçamentárias e os níveis reais do mercado.












