O setor energético do Gana enfrenta numerosos desafios, incluindo uma dívida estimada em mais de 3 mil milhões de dólares, segundo uma declaração do ministro das Finanças, Cassiel Ato Forson, perante o Parlamento. Apesar desta situação, o país tem como meta alcançar o acesso universal à eletricidade até 2030.
O Gana e o Banco Mundial concordaram em fortalecer sua cooperação em cinco setores prioritários, incluindo energia, para "acelerar a transição de Gana para uma economia mais resiliente, inclusiva e sustentável".
Na quarta-feira, 15 de outubro, Gana e o Banco Mundial concordaram em fortalecer a cooperação em cinco setores considerados prioritários, incluindo energia, após uma reunião entre Cassiel Ato Forson, Ministro das Finanças, e Ajay Banga, Presidente do Grupo do Banco Mundial, à margem da reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.
Segundo a imprensa ganense, a decisão visa "acelerar a transição de Gana para uma economia mais resiliente, inclusiva e sustentável". A energia foi identificada juntamente com educação, saúde, infraestrutura rodoviária e agricultura como pilares para apoiar as prioridades de desenvolvimento do país.
As duas partes concordaram com o princípio de um apoio reforçado do Banco Mundial aos projetos em andamento e futuros nestas áreas. Embora nenhum projeto energético específico tenha sido anunciado, o Gana conta com essa cooperação para recuperar um setor fragilizado por uma dívida crescente e perdas técnicas substanciais.
Segundo o Ministério das Finanças, a dívida energética chegou a 3,1 bilhões de dólares em março de 2025, dos quais 1,73 bilhão foram devidos a produtores independentes. De acordo com a Comissão de Energia, a empresa pública Electricity Company of Ghana (ECG) registrou 32% de perdas de distribuição em 2024, seu nível mais alto em vinte anos.
Com uma taxa de acesso à eletricidade de cerca de 89%, uma das mais altas da África subsaariana, o país busca estabilizar e diversificar seu suprimento. Apesar de seu potencial em energias renováveis tais como hidrelétrica, solar, eólica e biomassa, a rede ainda depende de combustíveis importados.
O apoio esperado do Banco Mundial ocorre em um contexto em que o governo busca modernizar a rede, fortalecer a governança do setor e acelerar a transição energética, no âmbito do National Energy Transition Framework.
Vários programas já em andamento e apoiados pelo Banco Mundial, contribuem para a consolidação do mix energético nacional, como o Ghana Energy Sector Transformation Project e o Scaling Up Renewable Energy Program.
Conforme relatado pela Agence Ecofin em abril, um relatório conjunto da ONG ActionAid Ghana e do Centre for Research on Multinational Corporations (SOMO) criticou as escolhas energéticas atuais de Gana, estimando que a influência de instituições como o Banco Mundial contribui para aumentar a vulnerabilidade fiscal do país.
Abdel-Latif Boureima













Marrakech. Maroc