O acesso à energia representa um dos maiores desafios para as economias africanas. Mais de 600 milhões de pessoas continuam sem eletricidade, apesar dos esforços realizados.
Os Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram a mobilização de 4,5 bilhões de dólares para financiar o desenvolvimento de mais de 60 projetos de energia limpa na África, declarou Sheikh Shakhboot bin Nahyan Al Nahyan (foto), ministro de Estado dos Emirados Árabes Unidos responsável pelos Negócios Estrangeiros. O anúncio foi feito à margem da 39ª Cúpula da União Africana (UA), realizada no sábado, 14 de fevereiro, e no domingo, 15 de fevereiro de 2026, em Adis Abeba, na Etiópia.
Esses financiamentos estão sendo realizados no âmbito da "Africa Green Investment Initiative". Este programa é apresentado pelas autoridades emiradenses como uma alavanca para acelerar a implementação de projetos energéticos no continente. Os projetos envolvem energia solar, eólica, geotérmica, sistemas de armazenamento por baterias e hidrogênio verde. Os fundos visam aumentar a capacidade de produção de eletricidade em vários países africanos.
Durante a mesma intervenção, o responsável mencionou um programa distinto de 10 bilhões de dólares promovido pela Masdar, uma empresa com sede em Abu Dhabi especializada em energias renováveis. Ele também citou a iniciativa "Etihad 7", que visa expandir o acesso à eletricidade para até 100 milhões de pessoas até 2035, segundo suas declarações. Além disso, lembrou que os investimentos acumulados dos Emirados Árabes Unidos na África ultrapassaram 110 bilhões de dólares entre 2019 e 2023, sendo mais de 70 bilhões direcionados para o setor de energia, em particular para as energias renováveis.
Investimentos em aumento, mas ainda abaixo das necessidades
Apesar do recente crescimento das instalações energéticas, uma grande parte da população africana continua sem acesso à eletricidade. De acordo com o relatório Energy Access Report 2025, publicado em junho de 2025 pelo Banco Mundial, quase 666 milhões de africanos ainda não tinham acesso à eletricidade.
O descompasso é particularmente acentuado na África Subsaariana, onde os gastos com eletrificação permanecem limitados, apesar das crescentes necessidades. Em um estudo publicado em outubro de 2025, a Agência Internacional de Energia (IEA) informou que menos de 2,5 bilhões de dólares foram mobilizados para financiar novas conexões elétricas na região em 2023. Segundo a Agência, esse nível de financiamento ainda é insuficiente para colocar a região na trajetória de acesso universal à eletricidade.
No mesmo estudo, a IEA estima que serão necessários cerca de 150 bilhões de dólares de investimentos acumulados até 2035 para alcançar o acesso universal à eletricidade na África, o que corresponde a aproximadamente 15 bilhões de dólares por ano no período.
Do ponto de vista dos investimentos, os dados confirmam um desequilíbrio persistente em favor dos combustíveis fósseis. O relatório World Energy Investment 2024 da IEA destaca que a maior parte dos gastos energéticos africanos em 2024 ainda foi destinada aos combustíveis fósseis, enquanto os fluxos para tecnologias limpas permanecem limitados.
O relatório The Renewable Energy Investment Case for Africa, publicado em 2025 pela Africa Climate Insights e pela Enzi Ijayo Africa Initiative, especifica que a África representou cerca de 2% dos investimentos globais em energias limpas em 2024. O documento indica que essa participação continua baixa, considerando os recursos renováveis disponíveis no continente e os objetivos de acesso à eletricidade.
Apesar deste contexto, alguns setores de energias renováveis apresentam progresso. O Africa Market Outlook for Solar PV 2025-2028, publicado em 2025 pelo Global Solar Council, reporta um aumento de 42% no mercado fotovoltaico no ano.
Abdel-Latif Boureima













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