A refinaria de Cabinda faz parte dos projetos de desenvolvimento do refino em Angola, um país que continua dependente das importações de produtos petrolíferos refinados, apesar da sua produção de hidrocarbonetos.
Em Angola, a refinaria de Cabinda aproxima-se da sua entrada em operação efetiva. Segundo informações divulgadas na segunda-feira, 16 de março, pela Agência Angola Press (Angop), o secretário de Estado do Petróleo e Gás, José Alexandre Barroso, realizou uma visita às instalações para avaliar o progresso do projeto antes do início da produção.
Testes e preparação para a produção
Esta visita ocorre enquanto os equipamentos industriais estão a ser submetidos a testes técnicos, incluindo as unidades de processamento e os sistemas de segurança. O objetivo é garantir que as infraestruturas estão prontas para operar de acordo com as normas definidas.
Ainda segundo a fonte oficial, as obras essenciais de construção da refinaria de Cabinda estão concluídas. A infraestrutura já possui petróleo bruto em stock, embora os volumes não tenham sido especificados. Nesta fase, restam apenas alguns ajustes técnicos menores antes de a refinaria iniciar a produção de combustíveis.
De acordo com os dados disponíveis, a refinaria está projetada para produzir diesel, gasolina e querosene, num contexto em que Angola continua dependente das importações de produtos petrolíferos refinados. Dados oficiais indicam que, em 2025, Angola importou cerca de 3,49 milhões de toneladas de produtos refinados, correspondendo a 73 % do consumo, num custo estimado de 2,6 mil milhões de dólares, contra 71 % no ano anterior.
Arranque previsto “nos próximos dias” após 4 anos de atraso
A entrada em operação da refinaria de Cabinda, já anunciada por várias vezes, sofreu sucessivos atrasos desde 2022. Segundo uma notícia da Agence Ecofin publicada em agosto de 2025, as autoridades apontam agora para um arranque “nos próximos dias”, após vários anos de atraso.
Inicialmente, o projeto estava previsto para entrar em funcionamento em julho de 2022, conforme anunciado pelas autoridades angolanas em maio de 2022. Posteriormente, foram definidos novos prazos. Em julho de 2023, os responsáveis pelo projeto anunciaram um novo adiamento, devido a restrições técnicas relacionadas com o progresso da obra e a instalação dos equipamentos industriais.
Paralelamente, o projeto atingiu uma etapa importante com o fecho financeiro anunciado em julho de 2023 pela Gemcorp Holdings e seus parceiros, garantindo os recursos necessários para a construção da infraestrutura. Apesar destes avanços, os prazos foram revisados várias vezes, sobretudo quanto à conclusão das instalações e às fases técnicas preliminares à exploração.
Em agosto de 2025, a Agence Ecofin indicou que Angola deverá tornar-se o principal polo de refinação da África Central. Com a entrada em operação da refinaria de Cabinda, a capacidade de refino acumulada do país atingirá cerca de 95 000 barris por dia, à frente do Congo, do Gabão e do Camarões.
Esta projeção baseia-se na progressiva ampliação das capacidades nacionais. A refinaria de Cabinda processará 30 000 barris por dia numa primeira fase, antes de uma expansão prevista para 60 000 barris por dia, elevando a capacidade total do país para 125 000 barris por dia a longo prazo.
Abdel-Latif Boureima












