Harena Rare Earths e Pensana Rare Earths, com projetos em Madagascar e Angola, pretendem listar suas ações no mercado norte-americano
Medida surge como tentativa dos EUA de reduzir dependência chinesa em terras raras, com Washington apoiando projetos africanos
Diante da dominação chinesa na cadeia de suprimentos global de terras raras, os EUA optam pela diversificação. Nesse contexto, já surgem vários projetos africanos, apoiados principalmente por subsídios vindos de Washington.
Na terça-feira, 18 de novembro, a Harena Rare Earths anunciou ter obtido as autorizações necessárias para listar suas ações no mercado OTCQB Venture nos Estados Unidos. Essa notícia surge poucas semanas após o anúncio semelhante da Pensana Rare Earths, que também indicou sua intenção de lançar uma cotação na bolsa americana Nasdaq em 2026. As empresas justificam essas iniciativas pelo interesse dos investidores americanos em seus projetos de terras raras Ampasindava e Longonjo, respectivamente localizados em Madagascar e Angola.
"Harena tem despertado grande interesse de parte dos investidores americanos, e levando em conta a orientação estratégica da empresa para o mercado americano na produção de seus depósitos de terras raras, o mercado OTCQB lhe oferece fortes sinergias no desenvolvimento do projeto Ampasindava", informa-se.
Estes desenvolvimentos estão em consonância com um contexto onde Washington cada vez mais aposta em projetos africanos para reduzir sua dependência da China, principal fornecedora de terras raras do mundo. No mês passado, Pensana anunciou uma parceria com o produtor de imãs permanentes VAC, para estabelecer uma cadeia de suprimentos nos EUA, alimentada pela futura produção de Longonjo.
Para as duas empresas já listadas na London Stock Exchange (LSE), essa listagem adicional de suas respectivas ações pode permitir expandir seu acesso a capitais, no momento em que tentam avançar seus projetos rumo à produção. Com Ampasindava, Harena tem a ambição de finalizar até finais de 2028 a construção de uma nova mina capaz de produzir 5000 toneladas de óxidos de terras raras (TREO) por ano, com um investimento de 143 milhões de dólares. Um estudo de viabilidade do projeto está em andamento.
Já os trabalhos de construção começaram em Longonjo, onde a Pensana visa uma produção inicial de 20.000 toneladas de MREC (um concentrado de terras raras) por ano. A entrada em funcionamento está prevista para início de 2027. Enquanto aguarda sua cotação, a empresa já busca garantir um empréstimo de 160 milhões de dólares da Exim, a "Banco de import-export dos Estados Unidos".
Além desses dois projetos, o interesse americano no potencial africano em terras raras também se observa no projeto sul-africano Phalaborwa, apoiado desde 2023 pela agência federal americana DFC.
Aurel Sèdjro Houenou













Marrakech. Maroc