Enquanto a África precisa reforçar sua segurança energética em um contexto de déficit de acesso à eletricidade, várias alternativas estão sendo exploradas. O nuclear civil é uma delas.
A União Africana (UA) assinou no 13 de fevereiro, em Addis-Abeba (Etiópia), durante a sua 39ª cúpula, um memorando de entendimento com o objetivo de desenvolver o nuclear civil na África. O documento envolve a UA, a Agência para a Energia Nuclear da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE/NEA) e a Comissão Africana de Energia Nuclear (AFCONE).
O acordo visa promover o uso pacífico das ciências e tecnologias nucleares no continente africano, com ênfase no fortalecimento das capacidades técnicas e institucionais locais. Além disso, as partes se comprometem a apoiar a elaboração de marcos políticos e regulatórios, facilitar a troca de conhecimentos e experiências, e fomentar a cooperação no desenvolvimento de capacidades no setor nuclear.
O memorando tem duração inicial de três anos, com possibilidade de renovação, e formaliza uma cooperação entre as três instituições no campo do nuclear civil, sem, no entanto, anunciar projetos específicos de construção ou compromissos financeiros imediatos.
Um continente em busca de eletricidade
A assinatura deste acordo ocorre em um momento crítico, com a África enfrentando grandes desafios em termos de acesso à eletricidade. De acordo com o Energy Access Report 2025 do Banco Mundial, cerca de 666 milhões de africanos ainda não têm acesso à eletricidade, representando mais de 80% do déficit global de acesso à energia.
Além disso, os investimentos em energia na África são substancialmente baixos. A Agência Internacional de Energia (AIE) apontou em seu relatório World Energy Investment 2025 que, apesar de representar cerca de 20% da população mundial, a África recebe menos de 3% dos investimentos globais em energia, um valor abaixo das necessidades crescentes causadas pelo aumento da população e pela expansão das redes elétricas.
Avanços no nuclear civil
Em resposta a esses desafios, vários países africanos estão explorando ou considerando o desenvolvimento de programas nucleares civis. De acordo com a World Nuclear Association, na atualização de 2024 de seu relatório "Nuclear Power in Africa", África do Sul permanece como o único país no continente a operar uma usina nuclear comercial, com os dois reatores de Koeberg em operação. O Egito, Gana, Quênia, Nigéria e Uganda estão entre os países que já tomaram medidas formais para integrar o nuclear em suas matrizes energéticas.
No Egito, a usina nuclear de El Dabaa está em construção, e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que várias etapas técnicas importantes já foram realizadas no local. Além disso, o Togo recentemente assinou um acordo com a AIEA, delineando as linhas de cooperação para o desenvolvimento de aplicações nucleares pacíficas de 2026 a 2031.
Esses desenvolvimentos mostram que a energia nuclear civil está ganhando espaço na África, com o continente prestes a expandir suas capacidades nucleares em busca de soluções para seus desafios energéticos. A AIEA projeta que a capacidade nuclear instalada na África seja multiplicada por dez até 2050.
Abdel-Latif Boureima













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