O ciclo de 2026 de atribuição de blocos petrolíferos e gasíferos na Argélia estava em preparação desde o mês passado. Na altura, nem os blocos em causa nem o calendário do procedimento tinham sido precisados por Argel.
A Argélia lançou oficialmente a «Algeria Bid Round 2026», um concurso internacional que abrange sete novas zonas de exploração de hidrocarbonetos. Foi o ministro de Estado responsável pelos Hidrocarbonetos, Mohamed Arkab, quem presidiu à cerimónia, segundo informação divulgada no domingo, 19 de abril, pela Agência de Notícias Argelina (APS).
Em detalhe, o procedimento está aberto a todas as companhias petrolíferas e gasíferas internacionais. Para participar, estas têm até 26 de novembro de 2026 para apresentar as suas propostas. Os contratos de exploração com a empresa pública Sonatrach são esperados para 31 de janeiro de 2027.
Este lançamento surge pouco depois da «Algeria Bid Round 2024», o primeiro exercício do género desde 2014, que já tinha resultado na atribuição de licenças de exploração em cinco áreas a empresas de diferentes nacionalidades.
Todo o processo é enquadrado pela lei argelina dos hidrocarbonetos, apresentada por Arkab como uma garantia para os investidores e para os interesses do Estado. O ministro associou também este concurso a compromissos ambientais específicos, incluindo a redução da queima de gás, o controlo das emissões de metano provenientes das instalações petrolíferas e o desenvolvimento de projetos de hidrogénio e de captura de carbono.
Por detrás do concurso, uma corrida às reservas
Este novo concurso surge num momento em que o setor dos hidrocarbonetos constitui um pilar da economia argelina. Num relatório sobre a Argélia publicado em abril de 2024, o Fundo Monetário Internacional estima que os hidrocarbonetos representam, em média, 92% das exportações totais do país e 43% das receitas orçamentais.
Em 2024, estas exportações geraram 45,23 mil milhões de dólares, contra 50,49 mil milhões em 2023, segundo dados do relatório anual do Banco da Argélia publicado em setembro de 2025. Para manter estas receitas a curto e médio prazo, a Argélia precisa de renovar as suas reservas. Em fevereiro de 2026, o CEO da Sonatrach, Noureddine Daoudi, anunciou que 75% dos 60 mil milhões de dólares de investimentos previstos entre 2026 e 2030 serão destinados à exploração e produção. Em 2025, já tinham sido registadas 17 novas descobertas em bacias consideradas maduras.
Esta orientação insere-se nos objetivos do Estado de aumentar a produção de hidrocarbonetos. O grupo Sonatrach pretende atingir uma produção anual de gás de 200 mil milhões de metros cúbicos dentro de cinco anos, contra cerca de 137 mil milhões em 2023, segundo dados da OPEP. A Argélia tornou-se em 2025 o principal fornecedor de gás natural da Espanha, à frente dos Estados Unidos e da Rússia, segundo o gestor Enagás.
Abdel-Latif Boureima













Meknès - Durabilité de la production animale et souveraineté alimentaire