Enquanto a atribuição de novos licenças de exploração permanece suspensa desde 2022, o governo do Mali multiplica iniciativas para saneamento do setor mineiro. Esta dinâmica traduziu-se nomeadamente no cancelamento, decidido em outubro de 2025, de cerca de uma centena de títulos de prospeção em vigor.
Na sexta-feira, 17 de abril, o governo maliano apresentou um novo cadastro mineiro, destinado a substituir uma versão anterior considerada obsoleta e baseada num «sistema antigo». Este avanço ocorre num contexto em que os investimentos dedicados à exploração mineira estão em forte retração no país, segundo um recente relatório da S&P Global Market Intelligence.
Ferramenta central para qualquer país mineiro, o cadastro permite registar as licenças de exploração, cartografar as áreas atribuídas e disponibilizar informações-chave sobre os seus titulares e a duração da sua validade. No Mali, o desenvolvimento de uma versão atualizada responde à vontade das autoridades de corrigir disfunções do sistema anterior e reforçar a transparência na gestão dos títulos.
Segundo as informações divulgadas, o novo cadastro é totalmente digitalizado e deverá permitir a realização de todos os procedimentos em linha. É igualmente apresentado como mais seguro e plenamente operacional, com já 631 títulos mineiros registados. Em comparação, o Mali contava com 1 062 no final de 2022, segundo a Iniciativa para a Transparência nas Indústrias Extrativas (ITIE).
Este número manteve-se estável em 2023 devido à suspensão da concessão de novos licenças de pesquisa. Esta medida, tal como o desenvolvimento do novo cadastro, insere-se numa estratégia de saneamento e melhoria dos procedimentos. Até ao momento, as autoridades ainda não esclareceram as perspetivas de evolução desta política, enquanto o processo de reorganização do setor continua noutros níveis, como demonstra a retirada massiva de títulos mineiros no final de novembro de 2025.
Que perspetivas para a exploração?
Apesar dos avanços esperados com o novo cadastro, permanece a necessidade de clarificação sobre a atribuição de novas licenças de exploração, uma vez que o setor mineiro continua em perda de dinamismo. No seu relatório World Exploration Trends 2026, a S&P indica que o Mali registou a terceira queda anual consecutiva do investimento em exploração mineira, com a maior descida do continente, à frente de Madagáscar e da Namíbia.
Neste contexto, os primeiros resultados da política de saneamento conduzida por Bamaco serão determinantes para o futuro de um setor-chave da economia. Dominada pelo ouro, a indústria mineira representava 9,2% do PIB maliano em 2022. Segundo o World Gold Council, o Mali era em 2024 o segundo maior produtor africano de ouro, atrás do Gana, acolhendo também grandes empresas como a Barrick Mining e a B2Gold, o que evidencia o potencial do seu subsolo.
Resta agora acompanhar, nos próximos meses, a implementação progressiva do novo cadastro e os seus efeitos nas dinâmicas de exploração e nas políticas públicas associadas. Em paralelo, alguns países da sub-região destacam-se positivamente, como a Costa do Marfim, que registou o maior crescimento continental das despesas de exploração no último exercício.
Aurel Sèdjro Houenou













Meknès - Durabilité de la production animale et souveraineté alimentaire