- O Energy Commission of Nigeria finalizou um acordo de parceria com a Longi, uma das maiores fabricantes de painéis solares do mundo, para a criação de uma fábrica de produção de painéis.
- Este movimento faz parte de um amplo esforço do governo nigeriano para aumentar o acesso à energia limpa, especialmente em áreas rurais, e reduzir a dependência das importações.
A Nigéria está buscando consolidar sua soberania energética ao desenvolver uma indústria local de painéis solares. O país, ainda caracterizado por um importante déficit no acesso à eletricidade, aposta fortemente na energia solar para acelerar a eletrificação, especialmente nas áreas rurais.
O Energy Commission of Nigeria concluiu na quinta-feira, 16 de outubro, um acordo de parceria com a chinesa LONGi, uma das maiores fabricantes de painéis solares do mundo. O acordo prevê a criação de uma fábrica de produção de painéis, para reforçar a produção local desses equipamentos e apoiar a política nacional de acesso à energia limpa.
Esta iniciativa é parte de um movimento mais amplo liderado pelo governo nigeriano. Em setembro, a InfraCorp, a Rural Electrification Agency (REA) e o grupo holandês Solarge BV anunciaram a criação da Solarge Nigeria Ltd, encarregada de estabelecer outra fábrica com a meta de 50% de conteúdo local em três anos. Em março, a REA também assinou um contrato com a Oando Clean Energy para outra unidade, integrada ao programa DARES financiado pelo Banco Mundial.
Esses acordos refletem a vontade de integrar progressivamente a cadeia de valor das tecnologias limpas. De acordo com a Agência Internacional de Energia, em 2023 o continente africano representava apenas 0,5% do mercado mundial de tecnologias de energia limpa e menos de 0,1% do valor manufatureiro criado. A AIE, no entanto, ressalta que a crescente demanda interna, os custos de produção competitivos e a eletricidade gerada com baixa emissão de carbono oferecem à África a oportunidade de recuperar seu atraso industrial.
Para a Nigéria, que tem a maior população sem acesso à eletricidade no mundo e que vê a energia solar como um pilar de sua eletrificação, principalmente em áreas rurais, a produção local de componentes não é mais apenas uma escolha industrial, mas uma necessidade estratégica. Ao reduzir sua dependência das importações e consolidar sua base tecnológica, o país pode construir uma soberania energética sustentável.
ABDOULLAH DIOP












