Plano energético de 2,2 trilhões de rands, ou cerca de 127,5 bilhões de dólares, apresentado para solucionar a crise de energia e reativar o crescimento econômico na África do Sul
Esse plano pressupõe adicionar 105.000 MW de novas capacidades até 2039, mais do dobro da atual capacidade instalada da companhia nacional de eletricidade, Eskom
À medida que a África do Sul registra seu melhor desempenho no fornecimento de eletricidade em vários anos, o governo revela um vasto plano para transformar o setor de maneira sustentável e dar suporte à recuperação econômica.
O ministro sul-africano de Eletricidade e Energia, Kgosientsho Ramokgopa, apresentou no domingo, 19 de outubro, o Plano de Recursos Integrados (IRP) 2025, um plano de investimentos em energia de 2,2 trilhões de rands, o equivalente à 127,5 bilhões de dólares, com o objetivo de acabar com a crise de energia e reacender o crescimento econômico. Estima-se a adição de 105.000 MW de novas capacidades até 2039, mais do que o dobro da atual capacidade instalada da empresa nacional de eletricidade, Eskom.
O plano baseia-se em uma transformação da matriz energética, na qual fontes de baixo carbono superarão o carvão pela primeira vez na história do país. O governo planeja adicionar 11.270 MW de energia solar fotovoltaica até 2030, 7.340 MW de energia eólica, 6.000 MW de gás e 5.200 MW de energia nuclear. A iniciativa também visa atingir uma taxa de crescimento econômico de 3% do PIB até 2030, além da criação de milhares de empregos na construção e na indústria.
A eletricidade é crucial para a recuperação econômica. "Nenhuma economia pode crescer se as luzes estão apagadas", declarou o ministro Ramokgopa, lembrando que as quedas de energia interromperam investimentos industriais e agravaram o desemprego, impactando a economia do país. Conforme a OCDE, os cortes de energia reduziram o crescimento sul-africano em 1,5 ponto percentual em 2023, limitando a elevação do PIB a 0,7%. A entidade também lembra, citando a Eskom, que esses cortes de energia custaram, entre 2007 e 2019, cerca de 43,5 bilhões de rands (aproximadamente 2,5 bilhões de dólares) à economia.
Já a plataforma de consultoria em investimentos Discovery Alert, estima que durante períodos de graves cortes de energia, a produção industrial diminui em aproximadamente 20%. Para reverter essa tendência e fazer da energia uma alavanca para o crescimento econômico, a OCDE afirma que é essencial manter o ímpeto das reformas em andamento. Para ela, as principais prioridades devem ser estabelecer um mercado competitivo de eletricidade, acelerar a produção de energia renovável e a expansão da rede de transporte.
Após anos de instabilidade, a rede sul-africana mostra sinais de melhoria e as reformas começam a dar frutos. Agora, o desafio é consolidar esses avanços, garantir o financiamento e explorar plenamente o potencial energético do país para virar a página de mais de uma década de escassez de energia elétrica.
Abdoullah Diop












