- Anglo American encerra sua participação em uma joint venture com a Arc Minerals, marcando a retirada do projeto de exploração de cobre na Zâmbia.
- A decisão ocorre em meio à reestruturação da empresa focada em ampliar a exposição ao cobre e reduzir sua presença no setor de mineração africano.
Desde setembro passado, a Anglo American está envolvida num projeto de fusão com a empresa canadense Teck Resources. Esta iniciativa, que visa à criação de uma nova entidade focada em cobre, vem num contexto em que a empresa continua seu plano de reestruturação na África.
Em um comunicado publicado na segunda-feira, 20 de outubro, a mineradora Arc Minerals anunciou a "rescisão, por mútuo acordo" de sua joint venture assinada em 2022 com a Anglo American para a exploração de um projeto de cobre na Zâmbia. Este desenvolvimento marca uma nova retirada do grupo britânico de um projeto de mineração africano, alguns meses após a sua escisão com a Valterra Platinum (ex-Anglo American Platinum), a sua subsidiária sul-africana especializada em metais do grupo de platina (PGM).
A Anglo American anunciou em 2024 um plano para reestruturar suas operações, com o objetivo de intensificar sua exposição ao cobre. Esse plano incluía a separação de Valterra Platinum e um outro processo de escisão em andamento com o produtor de diamantes De Beers, ativo principalmente em Botswana e Namíbia. Se a saída do projeto zambiano não está associada a este processo, deve-se notar que ela reduz ainda mais a presença do grupo no setor de mineração africano.
O acordo de joint venture assinado com a Arc Minerals envolveu a aquisição pela Anglo American de participações no projeto ZCP, um ativo de exploração de cerca de 767 km², localizado no cinturão de cobre zambiano. Concretamente, a empresa poderia adquirir 51% do capital, investindo 38,5 milhões de dólares nos três anos e meio seguintes à assinatura do acordo. Segundo a Arc Minerals, a rescisão do acordo se deu após um "longo período de inatividade de sondagem em 2025" no local. As causas desta situação, contudo, não foram especificadas.
A Arc Minerals planeja explorar todas as opções necessárias para avançar o projeto, incluindo uma parceria com um novo sócio de joint venture. Por outro lado, a Anglo American ainda não se pronunciou sobre a rescisão deste acordo. Deve-se notar que, após a conclusão da separação com a De Beers, sua presença africana deverá se limitar a sua subsidiária sul-africana Kumba Iron Ore, bem como às operações de manganês realizadas na nação do arco-íris.
Entretanto, se acreditarmos em seu CEO Duncan Wanblad, a África continua sendo uma região estratégica para a Anglo American. "Olhando para o que o mundo precisa em termos de minerais, penso que a África é o lugar para estar [...]. Espero que sejamos tão grandes quanto éramos na África dentro de alguns anos", disse ele no início deste mês, segundo a Reuters.
Resta ver como essa visão se manifestará nos próximos anos, em um contexto em que a empresa está multiplicando acordos de consolidação fora do continente. Um projeto de fusão entre ela e a canadense Teck Resources está em andamento, com vista à criação da Anglo Teck, uma entidade avaliada em mais de 50 bilhões de dólares que passará a integrar os cinco maiores produtores globais de cobre. Paralelamente, a Anglo American está atrelada à Codelco no âmbito de um plano de fusão de suas respectivas minas de cobre Los Bronces e Andina, no Chile.
Aurel Sèdjro Houenou












