Desembolso significativo planejado para o desenvolvimento do sistema elétrico e energia limpa na Nigéria;
Investimento no contexto de déficit orçamentário e desafios financeiros, envolvendo também a mobilização de capital privado.
Segundo dados do Banco Mundial, cerca de 60,5% dos nigerianos tinham acesso à eletricidade em 2022, deixando aproximadamente 90 milhões de pessoas sem acesso. A administração tem a ambição de reduzir esta diferença a médio e longo prazo.
A Nigéria planeja mobilizar cerca de US$ 410 bilhões até 2060 para transformar seu sistema elétrico e desenvolver fontes de energia mais limpas. O objetivo apresentado pelo vice-presidente Kashim Shettima, e divulgado pela mídia local na terça-feira, 21 de outubro, é atingir uma capacidade instalada de 277 gigawatts, com seu parque atual de aproximadamente 13 a 15 GW.
Este plano se inscreve em um contexto onde as finanças públicas continuam pressionadas. O orçamento federal de 2025, avaliado em cerca de US$ 36 bilhões, prevê um déficit de aproximadamente US$ 8,5 bilhões, cerca de um quarto das despesas públicas. A dívida pública atinge quase US$ 97 bilhões no primeiro trimestre de 2025, segundo o Escritório de Gerenciamento da Dívida.
Abuja busca conciliar ambição energética e disciplina orçamentária por meio da combinação de reformas financeiras e da mobilização de capital privado. Em agosto de 2025, o governo aprovou um plano de refinanciamento de US$ 2,6 bilhões para liquidar dívidas acumuladas com 27 produtores de eletricidade entre 2015 e 2023.
Paralelamente, reduziu em 35% as subvenções à eletricidade após um reajuste tarifário direcionado, a fim de aliviar a carga sobre o Tesouro. No setor industrial, mais de US$ 400 milhões já foram direcionados à fabricação local de equipamentos solares, baterias e medidores, conforme anúncios governamentais reportados pela imprensa local.
De acordo com o Banco Mundial, cerca de 61% dos nigerianos tinham acesso à eletricidade em 2023, com uma população crescendo de 2,5% a 3% ao ano e poderia contar com 130 milhões de habitantes adicionais até 2050.
Essa dinâmica demográfica se soma às necessidades industriais em rápida expansão. Segundo a International Finance Corporation (IFC), a demanda por eletricidade na Nigéria poderia dobrar até 2030, impulsionada pelo crescimento econômico e rápida urbanização.
Conforme um estudo publicado em 2023 na revista Energy Research & Social Science, o setor elétrico nigeriano registra anualmente uma perda estimada em cerca de US$ 1,9 bilhão, um valor superior ao orçamento federal de saúde. Esta perda corresponde a ineficiências técnicas, falhas de pagamento e custos de rede, que permanentemente enfraquecem a viabilidade do sistema.
Abdel-Latif Boureima













Marrakech. Maroc