Segundo o National Energy Compact, o Gana ambiciona alcançar cerca de 100% de acesso à eletricidade até 2030, sendo 95% fornecidos pela rede nacional, e o restante assegurado por mini-redes e sistemas solares descentralizados destinados às zonas rurais isoladas.
No Gana, o financiamento continua a limitar a expansão de micro-redes nas zonas rurais não conectadas à rede elétrica. Foi o que declarou o ministro da Energia e da Transição Verde, John Abdulai Jinapor, durante o National Forum on Microgrids and Minigrids for Off-Grid Electrification, realizado em Acra.
“O financiamento continua a ser um obstáculo, os custos elevados e o risco percebido desestimulam os atores privados”, afirmou o ministro, segundo informações veiculadas em 22 de fevereiro pelo portal local MyJoyOnline. Ele indicou que essas restrições limitam a mobilização do capital necessário para o desenvolvimento de micro e mini-redes.
Esta declaração surge num contexto em que o acesso à eletricidade continua a ser um desafio para parte da população. Segundo dados citados pelo NewsGhana em 19 de fevereiro, cerca de 3,5 milhões de pessoas, principalmente em comunidades rurais, insulares e lacustres, não têm acesso confiável à eletricidade.
Em nível nacional, a taxa de acesso atingiu 89,03% em 2024, contra 88,75% em 2023, de acordo com o National Annual Progress Report publicado pelo governo. Nesse contexto, o fórum reuniu representantes das autoridades públicas, reguladores, setor privado e parceiros de desenvolvimento para analisar os quadros regulatórios e mecanismos financeiros que possam apoiar a implementação dessas instalações.
Aceleração das reformas e investimentos em energias renováveis
Nos últimos meses, o Gana lançou várias iniciativas para estruturar e acelerar o desenvolvimento das energias renováveis. Em novembro de 2025, a Agência Ecofin, citando fontes oficiais ganesas, reportou que a Energy Commission reuniu em Acra mais de quarenta atores do setor para analisar o quadro regulatório, o acompanhamento de licenças e as condições de operação das empresas atuantes em energias renováveis.
Segundo os dados apresentados nesses trabalhos, as energias renováveis representavam cerca de 36% da produção nacional de eletricidade em 2022, com a hidroeletricidade respondendo pela maior parte. A energia solar, por sua vez, correspondia apenas a 4,77% do mix elétrico, segundo números oficiais.
Em setembro de 2023, o governo lançou oficialmente o Plano Nacional de Transição Energética, cobrindo o período de 2022 a 2070, prevendo um aumento gradual da participação das energias limpas no sistema energético nacional.
Além disso, a Ghana News Agency reportou em outubro de 2025 o lançamento de um programa de 200 milhões de dólares para financiar a instalação de sistemas solares fotovoltaicos em telhados. O programa prevê cerca de 4.000 instalações, com capacidade total estimada de 137 MW, visando reduzir a pressão sobre a rede elétrica nacional.
Paralelamente, o ministério da Energia iniciou a implementação do Scaling-Up Renewable Energy Programme (SREP), com o objetivo de eletrificar comunidades fora da rede, especialmente em áreas rurais, através de soluções descentralizadas de energia renovável.
Essas medidas fazem parte de um quadro orçamentário que inclui a criação de um fundo dedicado às energias renováveis, aprovado pelo Parlamento, para apoiar o financiamento de projetos solares e infraestruturas associadas. Segundo os objetivos da política energética nacional, as autoridades pretendem aumentar a participação das energias renováveis para 10% do mix elétrico até 2030.
Abdel-Latif Boureima













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