Em 2025, a Anglo American acelerou a reestruturação do seu portfólio de ativos, especialmente com a separação de sua filial especializada em metais do grupo de platina, a Valterra Platinum (antiga Amplats). O grupo pretende continuar essa trajetória, vendendo suas operações diamantíferas em 2026.
No relatório financeiro publicado na sexta-feira, 20 de fevereiro, a Anglo American anunciou uma nova depreciação de 2,3 bilhões de dólares da avaliação da De Beers, grupo diamantífero do qual detém 85% do capital. Este ajuste, que segue uma redução anterior de 2,9 bilhões de dólares registrada em 2024, ocorre em um contexto de persistente fraqueza do mercado de diamantes naturais, enquanto a gigante mineradora prossegue com o processo de venda de sua filial, presente no Botswana, na Namíbia e em Angola.
Os produtores globais de diamantes naturais, de fato, têm operado há vários anos em um mercado sob tensão, especialmente devido ao crescimento dos diamantes de laboratório. O aumento do interesse dos consumidores por essas pedras sintéticas, combinado com a queda da demanda e dos preços dos diamantes naturais, levou as empresas a revisar suas estratégias de produção. A De Beers não está imune a isso, ajustando agora seus volumes de produção de acordo com a demanda, com uma produção prevista em queda de 12% em 2025. Esses fatores contribuíram para a depreciação anunciada pela controladora.
"Esta depreciação é devida a preços previstos abaixo das previsões iniciais, resultantes de uma preferência crescente dos consumidores por diamantes sintéticos em detrimento dos diamantes naturais, além de um excesso de diamantes brutos disponíveis em relação à demanda atual", pode-se ler no relatório da Anglo American.
Qual o impacto no processo de venda?
Este novo ajuste de valor ocorre enquanto a Anglo American afirma que está progredindo no processo de separação de sua filial diamantífera. Nos últimos meses, o grupo tem implementado um plano de reestruturação visando focar seu portfólio de ativos ao se desfazer de algumas operações consideradas não estratégicas. Essa dinâmica levou, por exemplo, à cisão, em maio de 2025, da sua filial especializada em metais do grupo de platina, a Valterra Platinum (ex-Amplats). A venda da De Beers é, portanto, uma das próximas etapas dessa transformação.
Neste momento, um processo estruturado de venda da De Beers está previsto para ser concluído em 2026, embora o andamento das negociações não tenha sido especificado. Poucos elementos também permitem avaliar o impacto das sucessivas depreciações nas condições da transação. Essas incertezas são ainda mais significativas, uma vez que vários Estados africanos já expressaram interesse em participar deste processo de venda.
O Botswana, principal local de produção da De Beers e acionista minoritário com 15%, deseja aproveitar essa oportunidade para adquirir uma posição majoritária no capital. A Angola também manifestou sua intenção de adquirir uma participação de 20 a 30% no grupo que está sendo vendido. Um "parceiro africano" foi até mesmo mencionado, reunindo outros Estados envolvidos nas operações da De Beers, como a Namíbia e a África do Sul. Paralelamente, o interesse de investidores internacionais foi sinalizado, incluindo o bilionário indiano Anil Agarwal, além dos grupos diamantíferos indianos KGK Group e Kapu Gems.
Enquanto os sinais do mercado de diamantes permanecem preocupantes, levando a De Beers a reduzir novamente suas previsões de produção para 2026, o resultado dessas dinâmicas permanece incerto. As decisões estratégicas da Anglo American provavelmente terão um peso significativo, em um contexto em que a empresa também busca finalizar sua fusão com a canadense Teck Resources.
Aurel Sèdjro Houenou













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