Num contexto marcado por tensões cambiais e pela necessidade de relançar a produção energética, o Cairo regulariza a sua situação financeira perante os seus parceiros internacionais do setor petrolífero e gasífero.
O Egito anunciou o pagamento de 1,3 mil milhões de dólares de atrasados devidos às empresas petrolíferas estrangeiras até junho, confirmando uma aceleração do calendário de pagamentos num esforço para cumprir os seus compromissos financeiros. A informação foi divulgada no domingo, 22 de março, pelo site english aawsat.
As autoridades egípcias indicaram que estes pagamentos se inserem num processo mais amplo de redução das dívidas acumuladas junto dos atores internacionais do petróleo e do gás. O total dos atrasados tinha atingido cerca de 6,1 mil milhões de dólares no final de junho de 2024, na sequência de restrições prolongadas ao acesso a divisas estrangeiras. Desde então, o governo realizou vários pagamentos, com o objetivo de reduzir progressivamente o saldo para níveis mais sustentáveis. Segundo as orientações anteriores, um saldo residual de cerca de 1,2 mil milhões de dólares deveria permanecer na data inicial de vencimento.
A aceleração anunciada altera, portanto, este calendário, num contexto em que os pagamentos mensais aos parceiros estrangeiros estão agora melhor integrados na gestão orçamental. Esta evolução assenta numa melhoria relativa da disponibilidade de divisas, facilitada pelo aumento das reservas cambiais e por ajustes macroeconómicos.
As autoridades retomaram progressivamente o controlo do ritmo dos pagamentos, após um período durante o qual os desequilíbrios externos tinham levado ao adiamento de algumas obrigações.
O reembolso das dívidas energéticas responde a um duplo objetivo. Por um lado, trata-se de reforçar a confiança dos investidores estrangeiros, a fim de encorajar a retoma das atividades de exploração e perfuração. Por outro, o objetivo é aumentar a produção doméstica de hidrocarbonetos, que registou um recuo desde o pico alcançado em 2021, limitando a capacidade de fornecimento local e aumentando o recurso às importações, nomeadamente de gás natural liquefeito.
A continuação deste processo dependerá da capacidade do país em manter um nível suficiente de reservas em divisas. A trajetória dos investimentos no setor petrolífero e gasífero constituirá igualmente um indicador-chave, tal como a evolução da procura energética interna.
Olivier de Souza












