No Ruanda, apesar da taxa de acesso à eletricidade ter atingido 85,4% no final de 2025, segundo o Rwanda Energy Group, o fornecimento continua insuficiente, e várias iniciativas estão em curso para reforçar a distribuição.
O país lançou um programa de reforço da rede elétrica para reduzir os cortes de energia que afetam regularmente a qualidade do abastecimento. A iniciativa prevê a aquisição e instalação de 290 transformadores em todo o território, de acordo com informações divulgadas pela imprensa local em 18 de março.
Estes equipamentos, que ajustam a tensão da eletricidade entre as linhas de transporte e os consumidores finais, serão instalados prioritariamente em zonas urbanas de elevada procura. Segundo o governo, citado pela imprensa, a implementação faz parte de um programa de modernização da rede elétrica previsto para 18 meses.
O projeto inclui trabalhos nas infraestruturas de distribuição: cerca de 357 km de linhas de média tensão serão reabilitados ou construídos, e quase 1.600 km de redes de baixa tensão serão reforçados para melhorar a cobertura local.
Kigali atribui os cortes recorrentes à pressão crescente sobre a rede, devido ao aumento do número de lares ligados e à maior demanda nos centros urbanos, além de infraestruturas envelhecidas.
O projeto integra programas apoiados por parceiros internacionais, como o World Bank e o Asian Infrastructure Investment Bank, sem divulgação do custo total até o momento.
Segundo os responsáveis, estes investimentos visam estabilizar a distribuição elétrica até a entrada em operação de novas capacidades de produção previstas para 2027. «As carências de eletricidade continuam a ser uma preocupação», afirmou Jimmy Gasore.
300 milhões de dólares mobilizados e programa nuclear em preparação
O Ruanda mobiliza vários financiamentos internacionais para desenvolver o setor elétrico e expandir o acesso à energia. Em fevereiro de 2026, a African Development Bank e a Asian Infrastructure Investment Bank comprometeram 300 milhões de dólares em projetos de energia limpa no país.
O financiamento inclui um mecanismo de desembolso condicionado a resultados mensuráveis em eletrificação.
Paralelamente, o Ruanda prossegue a diversificação da sua matriz energética. Segundo uma missão de revisão integrada de infraestrutura nuclear (INIR) conduzida pela International Atomic Energy Agency em meados de março, o país avançou na preparação de um programa nuclear civil. A missão avaliou 19 áreas, incluindo quadro regulatório, segurança nuclear e desenvolvimento de competências, para apoiar países interessados em incluir o nuclear na sua matriz energética.
As autoridades planeiam desenvolver capacidade nuclear, visando a primeira instalação no início da década de 2030.
Abdel-Latif Boureima












