O mix elétrico global de África continua dominado pelas energias fósseis, mas a quota das energias limpas está a aumentar progressivamente, graças sobretudo ao desenvolvimento rápido da hidroeletricidade, da energia solar e da energia eólica.
As energias limpas cobriram 52% da procura adicional de eletricidade em África no período 2020-2025, impulsionadas nomeadamente pela entrada em funcionamento de novos projetos hidroelétricos e pela colocação em serviço de várias centrais solares e parques eólicos, segundo dados publicados na terça-feira, 21 de abril, pelo think tank especializado Ember.
A quota das energias descarbonizadas no mix elétrico do continente subiu assim para 27% no último ano.
O gás natural continua, no entanto, a ser a principal fonte de eletricidade em África, com uma quota de 42% no mix elétrico global do continente em 2025, apesar do seu custo elevado, que pesa nos orçamentos de vários Estados africanos, e da abundância de recursos renováveis.
A produção de eletricidade a partir do gás aumentou 44% entre 2015 e 2025, com os países produtores de gás a reforçarem o seu uso deste combustível, especialmente no Norte de África (Egito, Argélia e Líbia).
O carvão ainda constitui a segunda maior fonte de eletricidade, mas a sua quota caiu para 24% da produção total de eletricidade em África. No último ano, a produção elétrica a partir deste combustível altamente poluente diminuiu 8,1 terawatts-hora (TWh), ou seja, -3,3% em relação ao ano anterior.
Ao mesmo tempo, as energias renováveis ultrapassaram o carvão pela primeira vez, atingindo 26% da produção total de eletricidade.
A procura cresce acima da média mundial
Em 2025, a produção de energias renováveis no continente cresceu cerca de 22 TWh em relação a 2024 (+9,4%). A maior parte deste aumento veio da hidroeletricidade (13,5 TWh), da energia eólica (3,97 TWh) e da energia solar (3,87 TWh).
O potencial de desenvolvimento das energias renováveis continua, no entanto, enorme. Apesar de África ser a região mais ensolarada do mundo, a energia solar representou menos de 4% do mix elétrico africano no último ano. O continente representou ainda apenas 1,4% da produção solar mundial em 2025.
O relatório sublinha que um desenvolvimento mais rápido das energias limpas será essencial para responder à procura futura de eletricidade no continente, que acolhe 19% da população mundial, mas representa apenas 3,1% da procura global de eletricidade. A maioria das pessoas sem acesso à eletricidade encontra-se na África subsaariana. E mesmo entre as que têm acesso, o fornecimento é frequentemente instável e o consumo por habitante está muito abaixo da média mundial. Em 2025, a procura de eletricidade em África cresceu 3,2%, acima da média mundial de 2,8%.
A Ember recomenda ainda que a África do Sul se afaste progressivamente da produção de eletricidade a carvão e que os países do Norte de África reduzam o peso do gás natural no seu mix elétrico. Para o resto do continente, onde as emissões de CO₂ são reduzidas, a prioridade é garantir o acesso universal à eletricidade até 2030, em linha com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.
Walid Kéfi












