Gabão espera crescimento não relacionado ao petróleo de 9,2% em 2026, quase o triplo do ritmo atual.
O setor de construção civil estimulado por projetos de infraestrutura e a transformação local de recursos estão entre os principais impulsionadores do crescimento.
Segundo o Banco Mundial, o petróleo continua a ser uma peça fundamental da economia do Gabão. Sua contribuição para o PIB ficou entre 23% e 24,2% em 2023, uma ligeira queda em relação ao ano anterior. A receita petrolífera representou cerca de 10,5% do total, confirmando sua posição central nas finanças nacionais.
Depois de décadas de dependência do petróleo, o Gabão quer abrir um novo capítulo em sua história econômica. O país projeta um crescimento fora do setor petrolífero de 9,2% em 2026, quase o triplo do ritmo atual. Um desempenho que elevaria o crescimento global para 7,9%, contra 3,4% em 2024, de acordo com as projeções oficiais.
Este é um desafio audacioso para uma economia que por muito tempo foi impulsionada pelos rendimentos do petróleo, mas que agora está sendo alcançada pelo esgotamento de seus campos maduros. É verdade que o setor petrolífero ainda cresceu 3,1% em 2024, apoiado por alguns investimentos direcionados. Mas o declínio parece inevitável: a produção deverá cair 3% em 2026. Daí a urgência em encontrar novos motores de crescimento.
Construção Civil impulsiona a retomada
O primeiro impulsionador identificado é o setor da construção civil. Estimulado por grandes projetos de infraestrutura, o setor já cresceu 48% em 2024 e provavelmente disparará mais de 78% em 2026, de acordo com as previsões do governo. Estradas, escolas, universidades, hospitais, moradias, prédios administrativos... o mapa do Gabão está sendo redesenhado ao ritmo das escavadeiras.
Entre os projetos emblemáticos, a Cidade Esmeralda simboliza essa vontade de urbanização moderna. O governo também está apostando na reforma da rede ferroviária para facilitar o transporte de madeira, manganês e produtos manufaturados. O objetivo é abrir as áreas produtivas e atrair novos investidores.
Industrialização e transformação local
Além das infraestruturas, Libreville quer acelerar a transformação local de seus recursos. Na energia, o projeto mais emblemático permanece a fábrica de gás natural liquefeito (GNL) em Port-Gentil, prevista para 2026. Um investimento colossal de 560 bilhões de FCFA, liderado pela Perenco e pela Gabon Oil Company (GOC).
As minas seguem a mesma lógica. Os primeiros locais de ferro em Baniaka e ouro em Eteke devem entrar em operação, enquanto a transformação do manganês está ganhando impulso. A ambição é clara: capturar mais valor agregado e reduzir a dependência das exportações brutas.
A agricultura e a pesca também não ficam para trás. Esses setores devem crescer 5,9% em 2026, impulsionados pela retomada da produção de óleo de palma e pelos programas do Fundo Estratégico Agrícola (FSA). O objetivo é fortalecer a segurança alimentar e dinamizar as exportações não petrolíferas.
Estabilidade macroeconômica frágil
Em termos macroeconômicos, o Gabão mantém uma relativa estabilidade. Em 2024, a inflação permaneceu controlada em 1,2%, enquanto a dívida pública ficou em 56,3% do PIB, de acordo com o Painel de Indicadores Econômicos. Indicadores que cumprem os critérios de convergência do Cemac.
Mas a situação não está sem problemas. Os atrasos nos pagamentos persistem, assim como o peso da folha de pagamento do setor público, que pesa sobre as margens orçamentárias. O governo terá que equilibrar as ambições de investimento e a rigor da finança pública.
Segundo a Diretoria Geral de Economia e Política Fiscal (DGEFP), o crescimento esperado em 2026 poderia gerar novos empregos, reduzir a pobreza e iniciar um desenvolvimento mais inclusivo. Um caminho que as autoridades apresentam como um ponto de virada decisivo para um modelo econômico mais resiliente, menos dependente das flutuações do petróleo.
Permanece a questão de saber se a diversificação, muito proclamada, mas raramente concretizada, finalmente encontrará seu ritmo. Pois para realizar a transição, o Gabão terá que não apenas investir, mas também melhorar a governança econômica e aumentar a confiança do setor privado.
SG













Marrakech. Maroc