Num contexto de concorrência crescente no mercado mundial dos isótopos médicos e de envelhecimento das infraestruturas nucleares, Pretória procura assegurar a sua posição num nicho estratégico de elevado valor acrescentado, ligado à saúde.
A África do Sul planeia a construção de um novo reator nuclear de investigação, segundo uma declaração de Loyiso Tyabashe, diretor executivo da Nuclear Energy Corporation of South Africa (NECSA), numa entrevista concedida à Reuters e divulgada na terça-feira, 24 de março. O projeto deverá ser objeto de um concurso público previsto entre abril e junho de 2026.
De acordo com os detalhes fornecidos pelo responsável desta empresa pública encarregue de gerir as atividades nucleares civis do país, o reator previsto terá uma capacidade entre 20 e 30 megawatts (MW) e deverá entrar em funcionamento entre 2032 e 2033. O orçamento do projeto não foi divulgado.
A instalação será concebida como um reator de investigação multifuncional, destinado a usos não associados à produção de eletricidade. Será utilizada para a produção de isótopos médicos, nomeadamente o molibdénio-99 (Mo-99), um elemento utilizado no diagnóstico de determinadas doenças, como o cancro.
A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) cita regularmente a África do Sul entre os principais produtores mundiais de Mo-99, graças sobretudo ao reator Safari-1. Colocado em funcionamento em 1965, este reator situado em Pelindaba, na província de North West, constitui uma das principais infraestruturas de produção de isótopos do país.
«Queremos operar em paralelo para consolidar a nossa presença no mercado dos isótopos e evitar qualquer interrupção, pois, uma vez que os clientes se vão embora, perdem-se», declarou Tyabashe. Para o efeito, a NECSA pondera um contrato do tipo chave na mão ou engineering, procurement and construction (EPC), confiando a um único prestador a conceção e a execução do projeto.
Esta abordagem visa controlar os custos e os prazos, sendo que países como a Rússia, a China, a Coreia do Sul, os Estados Unidos ou a Argentina são apontados como potenciais candidatos ao concurso.
Este projeto insere-se num programa mais amplo de relançamento do nuclear na África do Sul, que inclui também o desenvolvimento de pequenos reatores modulares (SMR). Vários países africanos manifestam interesse por esta tecnologia, como o Ruanda e o Egito. A África do Sul continua a ser o único país africano a dispor de uma central nuclear comercial em funcionamento.
Abdel-Latif Boureima













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