Segundo Noumory Sidibé, diretor-geral da CI-Énergies, a Costa do Marfim não enfrenta um défice de produção elétrica. As perturbações observadas derivam antes das limitações da rede de distribuição, pressionada pelo rápido aumento da procura e por episódios de calor excecional.
O diretor-geral da CI-Énergies, Noumory Sidibé (foto), anunciou na segunda-feira, 23 de março, o lançamento de um plano de investimento de 700 mil milhões de FCFA (cerca de 1,2 mil milhões de dólares) destinado a reforçar a rede elétrica na Costa do Marfim.
Em declarações à Nouvelle Chaîne Ivoirienne (NCI), explicou que este programa visa prioritariamente a melhoria da qualidade da eletricidade, através da modernização e do reforço da rede de distribuição.
«Estes projetos já começaram a ser implementados e vocês irão constatar, no mais tardar na próxima semana, obras de grande envergadura a serem realizadas no distrito de Abidjan e também em várias localidades», afirmou Sidibé. Salienta, no entanto, que os efeitos não serão imediatos, devido aos prazos técnicos necessários à execução.
Uma rede sob pressão, apesar da produção suficiente
Nas últimas semanas, os cortes de eletricidade observados em vários bairros do Grande Abidjan suscitaram preocupações. Segundo o dirigente, a situação não se deve a um défice de produção. «A capacidade instalada é suficiente para cobrir a procura nacional», assegura, apontando antes para os limites da rede de distribuição.
A rede sofre, de facto, sobrecargas pontuais, agravadas por picos de calor incomuns que provocam um aumento significativo do consumo elétrico. Em fevereiro de 2026, a procura cresceu 14% em relação ao ano anterior, correspondendo a um excesso estimado de 300 MW.
«Exploramos a rede ao limite das suas capacidades», reconheceu o diretor-geral, acrescentando que esta situação torna o sistema particularmente vulnerável ao menor incidente técnico. Para ele, esta tensão deve-se em parte às escolhas estratégicas feitas nos últimos anos, nas quais o Estado marfinense privilegiou uma política de acesso alargado à eletricidade.
Graças, nomeadamente, ao Programa Eletricidade Para Todos (PEPT), lançado em 2014, quase 500 000 novos assinantes foram ligados à rede, permitindo elevar a taxa de eletrificação de 34% em 2011 para 98% em 2025, com mais de 6 600 localidades recentemente servidas em 15 anos, contra 2 800 em 50 anos.
Esta expansão rápida aumentou mecanicamente a pressão sobre infraestruturas por vezes dimensionadas ao limite, expondo a rede a riscos elevados de saturação, acrescentou.
Um setor em mutação, desafios persistentes
Desde a liberalização do setor em 2014, o sistema elétrico marfinense baseia-se num modelo que envolve múltiplos atores, da produção à distribuição. O país impõe-se hoje como um dos mercados energéticos mais dinâmicos da África Ocidental, com a ambição de se tornar um hub regional até 2030.
Apesar destes avanços, persistem disparidades, nomeadamente em algumas zonas rurais ainda insuficientemente servidas. O crescimento sustentado da procura continua a pressionar as infraestruturas existentes, tornando indispensáveis novos investimentos.
Importa referir que o Projeto de Desenvolvimento e Reabilitação da Rede Elétrica da Costa do Marfim (PRODERCI) permitiu melhorar o desempenho do sistema, com a eficiência a passar de 78,78% em 2015 para 83,7% em 2024, segundo dados governamentais. O tempo médio de corte também foi reduzido, de 44 horas e 38 minutos em 2015 para 17 horas e 54 minutos em 2021, antes de subir para 26 horas e 13 minutos em 2024 devido às recentes perturbações.
Charlène N’dimon













Bamako