Historicamente dominado pela exploração mineira, com destaque para o ouro e os fosfatos, o setor extrativo senegalês viu nos últimos dois anos a entrada em produção de campos de petróleo e gás. Estes projetos iniciam um reforço do peso dos hidrocarbonetos na indústria.
As receitas extrativas do Senegal aumentaram 23% em termos anuais, atingindo 447 mil milhões de FCFA (cerca de 808 milhões de USD) em 2024. Embora a mineração continue dominante nestas receitas, o crescimento deve-se principalmente ao setor petrolífero, cujas receitas mais que duplicaram em apenas um ano.
Segundo um relatório publicado em dezembro de 2025 pela Iniciativa para a Transparência nas Indústrias Extrativas (ITIE), as empresas petrolíferas que operam no Senegal pagaram, em 2024, 77,70 mil milhões de FCFA ao Estado (excluindo pagamentos sociais, ambientais e garantias de reabilitação), contra 30,65 mil milhões de FCFA em 2023. A participação dos hidrocarbonetos nas receitas extrativas do Estado passou, assim, de 8% em 2023 para 17% um ano depois. Este aumento deve-se à entrada em operação do campo petrolífero de Sangomar, em junho de 2024.
Campo petrolífero de Sangomar
Nos primeiros meses de exploração em 2024, o campo offshore de Sangomar produziu 16,90 milhões de barris de petróleo. É operado por uma joint venture entre a australiana Woodside Energy (82% das participações) e a empresa nacional senegalesa Petrosen (18%). O Senegal explora também gás natural, cuja produção, de 2,77 milhões de metros cúbicos normais em 2024, é totalmente utilizada localmente para a produção de eletricidade.
Predomínio do ouro
Para além do aumento de produção do campo de Sangomar, que produziu 36,1 milhões de barris em 2025, a contribuição dos hidrocarbonetos para as receitas extrativas do país deverá crescer ainda mais com o gás natural liquefeito. O Senegal iniciou as exportações no ano passado, com a entrada em produção do projeto gasífero Greater Tortue Ahmeyim. Ainda assim, a mineração deverá continuar, pelo menos a médio prazo, a dominar o setor extrativo.
De acordo com a ITIE, as minas geraram 369,68 mil milhões de FCFA de receitas para o Estado senegalês em 2024, um aumento de 11% face a 2023. O relatório atribui esta evolução, sobretudo, a ajustes alfandegários aplicados nas duas minas de ouro do país, bem como nas Indústrias Químicas do Senegal (ICS), que exploram fosfato. O ouro e o ácido fosfórico (derivado do fosfato) são os dois principais produtos de exportação do setor mineiro, com, respetivamente, 501,95 mil milhões de FCFA e 287,52 mil milhões de FCFA declarados na exportação.
A produção declarada de ouro foi de 354.715 onças, cerca de 11 toneladas, proveniente das minas industriais de Sabodala-Massawa e Mako. A entrada em produção, em 2025, da mina Boto, explorada pela marroquina Managem e capaz de produzir cerca de 5 toneladas nos três primeiros anos, reforçará o impacto do ouro nas receitas extrativas. Salienta-se ainda que o aumento esperado da produção senegalesa de ouro ocorre num contexto de forte valorização dos preços, que subiram mais de 60% em 2025 e poderão atingir 5.000 USD por onça em 2026.
Peso na economia
Será necessário aguardar o relatório ITIE 2025 para avaliar até que ponto os efeitos do aumento da produção e dos preços do ouro se traduzem nas receitas extrativas do Senegal. Observa-se, no entanto, que a contribuição do setor extrativo para a economia nacional pouco mudou em 2024.
O peso nas exportações passou de 31,89% em 2023 para 31,38% um ano depois, enquanto a participação no PIB aumentou para 4,95% (contra 4,72% em 2023). O setor extrativo representa ainda 0,74% dos empregos declarados (contra 0,16% em 2023), enquanto a parcela nas receitas do Estado passou de 9,40% em 2023 para 11,96% em 2024.
Na procura de reforçar a presença das minas na economia, o governo senegalês, liderado pelo Presidente Diomaye Faye e pelo Primeiro-Ministro Ousmane Sonko, lançou uma auditoria aos contratos petrolíferos e ao setor mineiro. Quanto a este último, os resultados anunciados em setembro de 2025 revelaram o incumprimento das obrigações fiscais por vários operadores e a proliferação de minas ilegais. Medidas corretivas estão previstas.
Emiliano Tossou













Marrakech. Maroc