Desde o início da guerra no Sudão, através do qual transitam as suas exportações de petróleo, o Sudão do Sul enfrenta dificuldades no seu setor petrolífero, que constitui a base da sua economia.
O governo sul-sudanês procura reforçar a produção de petróleo, apoiando-se em investimentos adicionais face à subida dos preços do crude. Esta estratégia foi divulgada durante uma conferência de imprensa de Chol Deng Thon (foto), subsecretário do Ministério do Petróleo do Sudão do Sul, realizada na quarta-feira, 25 de março.
«O aumento da produção continua no centro da nossa agenda», afirmou o responsável, sublinhando que a valorização do preço do barril reforça a importância deste objetivo. Ele indicou ainda que o ministério manteve várias reuniões com as empresas operadoras para coordenar as operações, apesar das limitações logísticas relacionadas com as tensões no Médio Oriente.
Segundo Chol Deng Thon, a produção petrolífera sul-sudanesa passou recentemente de cerca de 95 000 para quase 100 000 barris por dia. Uma evolução que contrasta com os dados da U.S. Energy Information Administration (EIA), que mostram que o Sudão do Sul produziu em média cerca de 79 000 b/d em 2024, contra pouco mais de 146 000 b/d em 2023.
O Estado atribui este progresso recente à entrada em operação de novos poços nos blocos 3 e 7, situados no Estado do Alto-Nilo, nomeadamente no campo de Al Nahal, onde o poço W8 produz cerca de 5 440 barris por dia. A operadora Dar Petroleum Operating Company indica ter perfurado 16 poços desde a retoma das atividades em outubro de 2025, dos quais 12 já estão em produção.
Uma retoma sob restrições
A retoma das atividades petrolíferas iniciada em outubro de 2025 ocorre enquanto as perturbações provocadas pelo conflito no vizinho Sudão afetam as infraestruturas de exportação do crude sul-sudanês. Em maio de 2025, a Agence Ecofin noticiou que as exportações do país foram fragilizadas por um ataque dirigido que danificou um oleoduto estratégico ligando os campos petrolíferos ao Porto-Sudão, principal ponto de exportação situado no Sudão.
Neste contexto, os dirigentes sul-sudaneses iniciaram esforços para assegurar as instalações petrolíferas e garantir a continuidade dos fluxos. Em dezembro de 2025, foi alcançado um acordo com o governo do Sudão e as Forças de Apoio Rápido (FSR) para reforçar a proteção das infraestruturas e permitir a retoma das exportações em condições seguras.
Paralelamente, o Sudão do Sul iniciou a revitalização de alguns campos petrolíferos em declínio com o apoio de parceiros internacionais. Em junho de 2025, as autoridades sul-sudanesas concordaram com a China National Petroleum Corporation (CNPC) em apoiar a retomada da produção de certos campos maduros.
Esta cooperação visa o redesenvolvimento e a otimização das capacidades existentes, através de um plano técnico que abrange os blocos 1, 2, 3, 4 e 7, onde se concentra a maior parte do potencial de produção do país.
Estas iniciativas procuram restaurar progressivamente as capacidades de produção após as perturbações registadas. Segundo os números do Tesouro Público francês, publicados em setembro de 2025, a renda petrolífera representa 95 % das exportações e gera 90 % das receitas públicas.
Abdel-Latif Boureima












