Historicamente dominada pela informalidade, a cadeia do ouro artesanal e de pequena escala (ASM) do Gana afirma-se pouco a pouco como uma alavanca estratégica para a economia nacional. Esta dinâmica é impulsionada pelas reformas do GoldBod, que já permitiram alcançar resultados recorde em 2025.
Na sexta-feira, 24 de abril, o GoldBod, regulador da cadeia do ouro artesanal e de pequena escala (ASM) no Gana, anunciou ter iniciado contactos com vista a uma colaboração com a Better Brands Zimbabwe. O objetivo é aproveitar a experiência desta empresa zimbabueana para apoiar as atividades dos pequenos mineiros a nível nacional e acelerar a sua integração progressiva nos circuitos formais de produção.
No centro das discussões está nomeadamente o projeto de criação de um centro de financiamento dedicado ao apoio aos mineiros artesanais. Este dispositivo deverá basear-se em facilidades de crédito e acompanhamento operacional, de forma a melhorar o acesso ao capital. Para além do financiamento, a parceria prevista deverá também abranger aspetos técnicos, nomeadamente o fornecimento de equipamentos mineiros como explosivos, geradores e combustível, com vista a otimizar os níveis de rendimento.
Nesta fase, as duas partes preveem o arranque do projeto nos próximos meses, tendo já sido definidos prazos para a seleção dos locais que poderão acolher as operações. Para o GoldBod, esta colaboração tem um caráter estratégico tendo em conta as ambições do Gana, sendo a Better Brands Zimbabwe o principal agente de compra de ouro do governo zimbabueano. Uma posição que lhe confere a experiência necessária para apoiar financeiramente e operacionalmente os pequenos produtores ganeses.
«O centro de financiamento proposto, bem como o apoio técnico e operacional que oferece, são considerados um passo crucial para aumentar a produtividade, melhorar a conformidade e aumentar as entregas oficiais de ouro através de canais legais. Deverá também apoiar os esforços nacionais mais amplos para maximizar o valor do setor do ouro, preservando ao mesmo tempo os meios de subsistência», pode ler-se na nota.
Passar para a fase seguinte…
A escolha do GoldBod em associar-se à Better Brands Zimbabwe explica-se também pelo peso estratégico da mineração artesanal no Zimbabué. Embora o país seja um produtor de ouro relativamente modesto face ao Gana, líder continental, dispõe de um setor ASM particularmente desenvolvido, que representa historicamente em média cerca de 65% da produção nacional de ouro, segundo estimativas disponíveis.
Uma dinâmica que o Gana pretende replicar, ao mesmo tempo que reduz o peso da informalidade e do contrabando que ainda caracterizam o setor aurífero. O objetivo é inscrever os bons resultados recentes numa trajetória sustentável, no contexto da aceleração das reformas conduzidas pelo GoldBod. No seu primeiro ano operacional em 2025, esta entidade apoiada pelo Estado ganês contribuiu para um aumento de 60% na produção de ouro artesanal, atingindo 3,1 milhões de onças (96,4 toneladas). Esta ultrapassou mesmo o segmento industrial, estimado em 2,9 milhões de onças, gerando cerca de 10 mil milhões de dólares em receitas de exportação no exercício.
São esperados níveis ainda mais elevados, com uma meta de produção anual de cerca de 127 toneladas nos próximos três anos. A contribuição potencial da parceria com a Better Brands Zimbabwe para a concretização destes objetivos ainda está por avaliar, num contexto marcado por outras iniciativas recentemente anunciadas, nomeadamente investimentos destinados à realização de estudos geológicos em zonas mineralizadas com potencial para acolher futuros locais de exploração artesanal.
Na espera de novas atualizações, importa notar que o exemplo ganês não é um caso isolado em África, num contexto de subida dos preços do ouro nos últimos anos. O Burkina Faso, o Mali e a República Democrática do Congo (RDC) também anunciaram recentemente medidas para melhor enquadrar os fluxos provenientes da sua mineração artesanal e garantir maior captura de receitas para o Estado.
Aurel Sèdjro Houenou












