Marrocos confirma plano de fasear o uso do carvão em sua produção elétrica até 2040, conforme a versão atualizada da Contribution Nationale Déterminée (CDN 3.0)
O carvão ainda é a principal fonte de eletricidade no Marrocos, representando 62% da produção total em 2023.
O abandono do carvão é hoje o cerne das estratégias climáticas e energéticas globais. Para países em desenvolvimento como o Marrocos, a questão é dupla: reduzir as emissões de gases de efeito estufa, mantendo um fornecimento de eletricidade estável e acessível.
O Marrocos confirma seu objetivo de abandonar gradualmente o uso do carvão em sua produção elétrica até 2040. Esse objetivo está presente na versão atualizada da Contribution Nationale Déterminée (CDN 3.0), que define seus compromissos climáticos para o período de 2026 a 2035.
Esse movimento é consistente com a adesão do reino à Powering Past Coal Alliance (PPCA), e reflete o desejo de descarbonizar um setor energético ainda dependente de combustíveis fósseis. O carvão continua sendo a principal fonte de eletricidade no Marrocos, fornecendo 62% da produção total em 2023, de acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA).
E põe em risco seu balanço de carbono, uma vez que o setor elétrico do país é responsável por 48% das emissões, quase 88% das quais são provenientes do carvão. Isso representa um grande desafio climático. Até 2050, as temperaturas anuais médias devem subir mais de 3 ° C e as precipitações anuais tendem a diminuir em geral entre 5 e 15%, de acordo com o CDN 3.0. Tal evolução pode resultar em um empobrecimento dos recursos hídricos e uma maior vulnerabilidade às secas.
Globalmente, a saída do carvão está acelerando, geralmente pelas mesmas razões. Segundo o relatório "Boom and Bust Coal 2025", publicado em abril de 2025 pelo Global Energy Monitor, apenas 44 GW de novas capacidades de carvão foram implementadas em 2024, o nível mais baixo em duas décadas. Excluindo a China, a capacidade mundial neste segmento diminuiu 9,2 GW e o desenvolvimento de projetos fora da China e da Índia caiu mais de 80% desde 2015, de 445 a 80 GW em 2024.
Ao mirar 2040 como data para o abandono do carvão, o Marrocos se alinha à essa tendência global, priorizando o clima e buscando reforçar sua segurança energética, especialmente através de energias renováveis, cuja capacidade instalada deverá triplicar até 2030.
Abdoullah Diop












