O mercado africano de energia solar está em plena expansão. Impulsionado por preços baixos e por necessidades energéticas massivas, o continente afirma-se como um destino-chave para os fabricantes chineses.
As vendas de painéis solares chineses para África registam uma forte aceleração. Em abril de 2026, as exportações chinesas de células e painéis para o continente atingiram 123 787 toneladas. Um ano antes, eram apenas 67 552 toneladas, o que representa uma subida de 83 %. Estes dados provêm das alfândegas chinesas, citados na quinta-feira, 21 de maio, pela Nairametrics.
Alguns mercados africanos estão a impulsionar particularmente este crescimento. A República Democrática do Congo viu as suas importações dispararem 482 % num ano. A África do Sul, um dos maiores compradores do continente, registou um aumento de 81,4 %.
No conjunto do ano de 2025, as importações africanas de painéis chineses aumentaram 48 %, passando de 12,7 para 18,8 gigawatts, segundo o relatório Global Electricity Review da Ember, publicado a 21 de abril de 2026.
Mas, embora este crescimento traduza uma tendência estrutural, deve ser contextualizado. As expedições de abril ficaram abaixo do pico de março de 2026, quando atingiram 209 474 toneladas. Esse máximo deveu-se a uma corrida dos compradores antes do fim de um benefício fiscal chinês à exportação, eliminado a 1 de abril.
Um mercado de substituição para os fabricantes chineses
Vários fatores explicam esta procura crescente do mercado africano. O primeiro é a reorientação estratégica de Pequim. A China está a reduzir as suas exportações para os Estados Unidos e para a Europa, onde os seus painéis enfrentam tarifas elevadas. O continente africano torna-se assim um mercado de substituição.
O argumento do preço é igualmente determinante. Os painéis chineses são 20 a 30 % mais baratos do que os dos seus concorrentes asiáticos. Para países com orçamentos limitados e necessidades energéticas elevadas, esta competitividade faz a diferença.
Além disso, a fraca produção local reforça esta dependência. África ainda fabrica poucos painéis solares. Na ausência de fábricas suficientes, o continente não tem alternativa senão importar. Os poucos países com capacidade de produção continuam longe de satisfazer a procura. O Marrocos, o mais bem equipado, produz apenas 1 gigawatt por ano, tal como a África do Sul. O Egito e a Nigéria dispõem apenas de linhas de produção limitadas.
Um relatório anterior da Ember mostra que, nos 12 meses até junho de 2025, 20 países africanos bateram o seu recorde de importações, e 25 ultrapassaram os 100 megawatts, contra 15 no ano anterior.
A Serra Leoa ilustra bem esta dinâmica. Só este país recebeu, nesse período, painéis suficientes para cobrir, uma vez instalados, 61 % da sua produção elétrica de 2023, o que poderá transformar profundamente o seu sistema energético, historicamente dependente dos combustíveis fósseis.
Abdel-Latif Boureima













Londres - Royaume-Uni - Sommet réunissant l'écosystème tech africain et les investisseurs internationaux à Londres.