Sim, a África precisa de melhores códigos mineiros, de transformação local e de negociações mais equilibradas com os investidores. Mas precisa sobretudo de inteligência económica, de prospetiva e de centros de investigação capazes de ler as mutações industriais antes de estas se tornarem evidentes.
O Zimbabué quer regulamentar as suas exportações de lítio. A RDC travou as do cobalto. A Guiné está a ponderar um maior controlo dos fluxos de bauxite. Em todo o lado, a mesma mensagem repete-se: a África já não quer apenas extrair. Quer transformar, impor condições e captar mais valor.
Este despertar tornou-se inevitável. Durante demasiado tempo, os minerais africanos saíram do continente em bruto, antes de regressarem sob a forma de baterias, componentes industriais, equipamentos tecnológicos ou produtos de elevado valor acrescentado. Mas por que razão os Estados africanos estão tão frequentemente mais na reação do que na antecipação?
O caso do lítio é a ilustração perfeita. Há alguns anos, a subida dos preços provocada pela aceleração global da procura por baterias alimentou a ideia de um novo superciclo mineiro. Vários países africanos começaram a rever as suas ambições. Incentivos ao desenvolvimento de novos projetos, transformação local ou reforço dos códigos mineiros passaram a dominar os debates.
Mas a China já levava vários anos de avanço. Pequim não se limitou a garantir jazigos. O país financiou capacidades massivas de refinação, desenvolveu a sua indústria química, construiu fábricas de baterias e organizou cadeias de valor capazes de absorver a explosão da procura mundial. Quando o mercado disparou, o aparelho produtivo chinês já estava pronto para inundar o mundo. Depois, o ciclo inverteu-se e os preços colapsaram, enquanto os grandes projetos em África ainda não tinham sequer atingido a fase de produção.
O problema da África não é apenas a corrupção, os contratos desequilibrados ou a ausência de conteúdo local. Quem, no continente, trabalha realmente na evolução dos mercados de minerais críticos a dez, vinte ou trinta anos? Quem modeliza os cenários de procura ligados à inteligência artificial, aos centros de dados, às tecnologias de defesa, ao armazenamento energético ou às futuras gerações de baterias? Quem acompanha seriamente os efeitos da reciclagem, das substituições tecnológicas, das sobrecapacidades chinesas ou das novas políticas industriais americanas e europeias?
Ver Estados a procurar controlar melhor os seus recursos e a ganhar mais peso nos mercados é uma evolução necessária, mas esta mudança chega tarde. Enquanto procuram ganhos de curto prazo, estarão também a preparar as próximas viragens industriais e tecnológicas globais?
As grandes transformações preparam-se anos antes, e isso exige tempo e massa crítica de conhecimento. Os minerais críticos podem oferecer ao continente uma alavanca histórica na economia mundial. Mas para evitar estar permanentemente a jogar a batalha seguinte, a África terá de aprender a pensar a batalha anterior.
Louis-Nino Kansoun, Editor-chefe













Londres - Royaume-Uni - Sommet réunissant l'écosystème tech africain et les investisseurs internationaux à Londres.