Maior produtor africano de ouro, Gana lançou em 2025 várias reformas para estruturar melhor a sua indústria aurífera. Esta dinâmica é particularmente liderada pelo organismo público Gold Board, cujos primeiros resultados na gestão do ouro artesanal são encorajadores.
Em 2025, as receitas de exportação de Gana atingiram 31,1 mil milhões de USD, contra 19,1 mil milhões de USD em 2024, segundo dados publicados pelo Banco Central na terça-feira, 27 de janeiro. Desse total, o ouro gerou 20,9 mil milhões de USD, consolidando o seu estatuto de principal produto de exportação do país da África Ocidental, muito à frente do cacau e do petróleo.
Durante o ano passado, a indústria aurífera destacou-se com um quase duplicar das receitas de exportação, que haviam sido de 10,3 mil milhões de USD no ano anterior. Este desempenho coloca o metal precioso quase cinco vezes acima do cacau, cujas receitas atingiram apenas 3,8 mil milhões de USD, apesar do seu crescimento anual. As exportações de petróleo ficaram muito atrás, com receitas limitadas a 2,6 mil milhões de USD. Acrescem ainda cerca de 3,6 mil milhões de USD provenientes de outras exportações do país nesse período.
Estes dados confirmam o peso preponderante do ouro nas receitas de exportação de Gana, que apresenta, além disso, uma balança comercial excedentária. Embora as causas precisas do aumento significativo da indústria aurífera não sejam detalhadas, este crescimento ocorre num contexto de mercado em alta prolongada, com um aumento superior a 70% nos preços em um ano. O desempenho coincide também com a implementação de várias reformas, especialmente no segmento de exploração artesanal e de pequena escala (ASM).
Ouro artesanal em destaque
Desde maio de 2025, a exploração aurífera artesanal e de pequena escala (ASM) é supervisionada pelo Ghana Gold Board (GoldBod). Este organismo público gere, entre outras coisas, o comércio do metal no mercado interno, comprando a produção dos pequenos exploradores para posterior reexportação. No seu primeiro ano de atividade, o GoldBod anunciou, em dezembro de 2025, ter exportado um volume recorde de 100 toneladas, gerando cerca de 10 mil milhões de USD em receitas.
Para comparação, este montante representa aproximadamente metade dos 20 mil milhões de USD de receitas totais das exportações de ouro de Gana em 2025. Como os dados de produção nacional ainda não foram publicados, será necessário aguardar para medir precisamente a contribuição das minas industriais, que não estão sob a supervisão do GoldBod. Entretanto, a participação do segmento ASM já se apresenta como um pilar central do crescimento observado.
“Este forte aumento das receitas auríferas ocorre num contexto de reformas em curso no comércio do ouro e na gestão da cadeia de valor em Gana, incluindo um controlo estatal reforçado, a formalização dos fluxos de ouro e uma melhor retenção de valor através do Gold Board. Estas medidas permitiram maximizar as receitas de exportação, melhorar a rastreabilidade e canalizar de forma mais eficiente os rendimentos do ouro para a economia formal”, comentou o GoldBod, em resposta à publicação do Banco de Gana.
Perspetivas para 2026
Tal como em 2025, o ouro permanece uma das prioridades da política económica do país em 2026. Para além das reformas estruturais implementadas pelo GoldBod, as autoridades procuram também reforçar o controlo sobre o segmento industrial. Nesse sentido, foi lançado em novembro de 2025 um auditoria mineira destinada a “confirmar a exatidão dos pagamentos de royalties e impostos e reforçar a transparência do setor mineiro”, envolvendo 19 grandes minas, incluindo Gold Fields, AngloGold Ashanti e Zijin Mining.
O governo anunciou ainda a intenção de revogar os acordos de estabilidade mineira, inicialmente criados para atrair investimentos através de benefícios fiscais às empresas. Esta medida vem acompanhada de um reajuste das taxas de royalties sobre o ouro, que passarão de 3-5% para 9-12%. Embora estas reformas visem maximizar as receitas do Estado, a sua implementação exigirá acompanhamento cuidadoso, sobretudo no que toca às relações com as empresas auríferas.
Medidas semelhantes implementadas no Mali após a adoção do Código Mineiro de 2023 provocaram um longo litígio com a canadiana Barrick Mining, levando à suspensão da produção na mina Loulo-Gounkoto em 2025. Esta situação contribuiu para uma queda esperada de 22,9% na produção industrial, privando o país da contribuição da sua maior mina de ouro. Para Gana, onde o ouro assume cada vez mais importância, manter um clima de negócios estável continua a ser essencial.













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